‘Coisas da Cidade’: nomes curiosos do comércio em São Paulo

O cronista da cidade faz uma viagem no tempo e relembra alguns nomes nada lógicos de algumas lojas da cidade

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Atualização:

As placas e propagandas do comércio espalhadas pelo cidade de São Paulo era um dos vários assuntos que o cronista José Martins Pinheiro Junior abordava recorrentemente em sua coluna ‘Coisas da Cidade’.

Seja para criticar a poluição visual e como as ‘taboletas’ atrapalhavam o fluxo dos pedestres nas calçadas, ou relatando casos curiosos, como esse que publicamos abaixo sobre os nomes pitorescos, e nada lógicos, dos estabelecimentos comerciais do final do século 19 e início do século 20. O texto é de 28 de setembro de 1918. Leia abaixo com a grafia original da época:

TABOLETAS

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Não são somente as velhas cidades que têm coisas pittorescas. Também as novas. Em S. Paulo, por exemplo, quem se der á pachorra de perambular por essas ruas, ha de recolher impressões interessantissimas.

Ora, vejam só as taboletas. Ainda não repararam como ha em S. Paulo taboletas curiosas? Ninguem decerto se esqueceu ainda de uma alfaiataria da “Aguia de Ouro” que aqui existiu ha annos. O nome não tinha nada de estranho, e era até muito mais acceitavel do que o de “Braço de Ouro”, por exemplo, que, como ainda se devem recordar os leitores, era o de uma confeitaria que já existiu na rua Direita. O caso, porém, é que a alfaiataria não se chamava assim, mas simplesmente “Agulha de Ouro”. Na reforma da casa, o pintor, que não era italiano, mas brasileiro e authentico caipira, escreveu “aguia”, que era como elle, em hiato, pronunciava “agulha”. E o nome ficou, e o proprietario, achando graça á coisa, mandou, tempos depois, pôr, sobre a sua porta, uma grande aguia dourada...

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Anúncio publicado em 19 de outubro de 1903. Foto: Acervo Estad

Na rua Formosa existiu tambem, não ha muito, uma taverna, que assim se intitulava: “Al vino cattivo di Viva la Madonna”. E, pelos modos, a taboleta agradava, porque a baiuca vivia sempre cheia, e até de quando em quando havia por serias rixas lá.

Anúncio publicado em 2 de setembro de 1899. Foto: Acervo Estad

Melhor do que esse, porém, é o nome da “Antiga Padaria Moderna”, que apesar de bem antiga ainda vive o promette viver muito, sempre moderna.

O Estado de S. Paulo - 28/9/1918

Coluna 'Coisas da Cidade' de de 28 de setembro de 1918. Foto: Acervo Estadão

‘P’: Um cronista da cidade de São Paulo

José Martins Pinheiro Junior, ou ‘P’, como assinava, nasceu em 12 de abril de 1884 em Silveiras (SP). Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1907. Dois anos depois, entrou para o jornal ‘O Estado de São Paulo’ como redator, cargo que exerceu durante 35 anos. No jornal, além de redigir a seção ‘Coisas da Cidade’ ocupou-se da também da coluna “Revista das Revistas”. Também foi um dos fundadores da ‘Revista do Brasil’ (1916) e do Diário da Noite (1926).

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Como advogado foi nomeado, em 1931, para o cargo de Curador Fiscal das Massas Falidas da cidade de São Paulo, que ocupou até 1954 quando se aposentou. Pinheiro Junior faleceu em 2 de outubro de 1958. No Acervo Estadão estão registrados 3.311 textos publicados por ele entre os anos 1910 e 1945.

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