Em algum momento da sua carreira, você já se sentiu preso a tarefas intermináveis e considerou ser impossível sair no horário? Para muitos, evitar horas extras parece um sonho distante por causa das altas demandas no trabalho.
Segundo Renata Rivetti, especialista em felicidade corporativa e liderança positiva, isso acontece porque há uma ilusão de que ser multitarefa significa ter produtividade, além de existir uma cultura de valorização de profissionais com traços workaholic.
Estar ocupado o tempo todo não é sinônimo de produtividade, alerta a especialista.
Renata Rivetti, especialista em felicidade corporativa e liderança positiva
Veja abaixo os principais pontos de alerta:
1. Você calcula produtividade pelas horas trabalhadas
Muitas pessoas ainda medem produtividade com base no tempo dedicado ao trabalho e não nos resultados obtidos, avalia a especialista, acrescentando que o comportamento contribui para a falta de concentração, desgaste físico e mental.
Na prática, a pessoa não consegue distinguir quais atividades trazem real entrega de valor. Consequentemente, trabalha por longas horas sem qualquer nível de prioridade nas tarefas.
Renata Rivetti
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2. Sempre acha que está devendo algo no trabalho
A sensação constante de que nunca fez o suficiente no trabalho também é um sinal de alerta. Isso porque, o profissional se sente frustrado ao não conseguir concluir todas as atividades da lista de tarefas.
Segundo Rivetti, esse comportamento afeta diretamente a autoestima e gera culpa. Consequentemente, o problema acarreta uma questão comum: a ansiedade.
3. Está sempre conectado
Achar que está sempre em dívida com as demandas profissionais faz com que a pessoa permaneça constantemente conectada. Para aliviar a culpa, é comum que muitos profissionais sintam a necessidade de responder a mensagens e e-mails fora do expediente, até mesmo aos finais de semana.
No modelo híbrido ou remoto, a necessidade de estar sempre online é ainda maior, pois há um receio de parecer improdutivo, observa a especialista.
A partir dai, vem o sentimento de culpa ao tirar pequenas pausas ou férias.
4. Sente culpa ao descansar
“A pessoa sente culpa ao se desconectar e acredita que descansar significa perder tempo ou ser menos comprometido”, afirma.
Renata Rivetti alerta que a falta de descanso pode gerar episódios de adoecimento, como burnout e ansiedade, já que o corpo não consegue se recuperar da rotina exaustiva.
No dia a dia, a ausência de momentos de desconexão tende a reduzir a capacidade de concentração e tomada de decisões no trabalho.
5. O seu senso de realização é deturpado
Outro sinal menos visível, mas que também merece atenção é o senso de realização. O trabalho deixa de ser algo motivador e passa a ser um fardo.
Renata Rivetti
Como identificar esses sinais?
Se você costuma estender o expediente com frequência, comece a registrar tudo o que faz durante a jornada de trabalho. Ao longo de oito horas, analise suas tarefas, veja como sua semana está distribuída e reflita sobre o uso do seu tempo.
Renata Rivetti
Em seguida, liste quais atividades são produtivas e elimine desperdícios de tempo, como reuniões desnecessárias e excesso de mensagens.
Durante o processo, vale fazer as seguintes perguntas:
- Consigo equilibrar a vida pessoal e profissional?
- Tenho dificuldade para descansar ou me desligar, mesmo em momentos de lazer?
- Estou frequentemente ansioso, estressado ou insatisfeito com o trabalho?
Ao perceber o excesso de trabalho, tente adotar algumas estratégias. Se você é chefe, redesenhe reuniões com pautas objetivas e poucos participantes, busque melhorar a comunicação assíncrona (mensagem que pode ser lida em outro momento, como um e-mail, em vez de conversa por WhatsApp).
Mas, se você não é chefe, estimule conversas com a sua liderança direta para reorganizar o tempo da equipe.
Outra dica importante é definir prioridades claras, classificando tarefas por impacto e urgência.
Renata Rivetti
Em relação à saúde dos negócios, a especialista alerta que empresas que incentivam uma cultura workaholic correm maior risco de enfrentar mais afastamentos por questões de saúde mental, queda na produtividade, já que funcionários “exaustos e ansiosos não conseguem manter um bom desempenho a longo prazo”.
Além disso, essas empresas também têm de lidar com maior rotatividade, baixa inovação e falta de engajamento nas equipes.