Disputas de poder e o debate político-cultural brasileiro

Opinião|Moraes ao lado de Lula é ajudar os verdadeiros golpistas


Ao aceitar o convite presidencial, no mesmo dia em que ato na Avenida Paulista pede seu impeachment, ministro do STF fortalece a imagem de que ele não consegue se comportar como um juiz a analisar e julgar objetivamente os fatos

Por Fabiano Lana

Dezenas de milhares de pessoas irem para as ruas para celebrar ou repudiar um juiz de direito não é uma circunstância que mostre saúde democrática. Até porque, em tese, o Judiciário deveria estar equidistante e ser imparcial nas lutas políticas. Mas foi o que ocorreu hoje na Avenida Paulista, quando a multidão pediu o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes. Nesse sentido, Moraes, com toda sua hipotética consciência de que política é sobretudo simbolismo, coloca mais fogo nas labaredas ao aparecer juntamente com o presidente Lula no desfile de 7 de Setembro.

Alexandre de Moraes participou do desfile do 7 de Setembro, em Brasília, ao lado do presidente Lula Foto: Wilton Junior/Estadão

Muitas evidências indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter tentado permanecer ilegalmente no poder por meio de um golpe de Estado. Não conseguiu o apoio das Forças Armadas e por isso precisou recuar. Além disso, dia 8 de janeiro de 2023, vândalos que esperavam a efetivação desse golpe depredaram parcialmente as sedes dos Três Poderes, o Parlamento, o STF, e o Palácio do Planalto.

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Crimes foram cometidos e a punição deveria ser exemplar. Alexandre de Moraes recebeu as atribuições de comandar esse processo e precisava mais do que nunca se mostrar imparcial. Mas deixou a autocontenção de lado. Instaurou censura prévia no Brasil, perseguiu anônimos, calou políticos e jornalistas, numa escalada que levou à proibição do “X” no Brasil, inserindo o País numa lista que inclui China, Coreia do Norte, Irã, Turcomenistão, Rússia e Mianmar – não por acaso países autocráticos ou ditatoriais.

Composta por MC Reaça, um rapper que morreu em 2019 em meio a um escândalo familiar, o hip hop “Suprema Vergonha Nacional” tocava em caixas de som dos trios elétricos da Paulista com a letra que continha o seguinte verso: “O Supremo Tribunal, maior corte do Brasil, virou vergonha nacional da pátria que nos pariu”, entre os que gritavam “ditadura do Judiciário”. Um sintoma de que parte da população brasileiro parece estar a um passo da desobediência civil. Qual seria a solução? Prender cerca de metade de população brasileira?

Na argumentação dos defensores do Supremo, todas as ações tomadas por Alexandre de Moraes são para salvar a democracia – mesmo que o pior já tenha passado há tanto tempo. Mas parecem fechar os olhos para os abusos cometidos e, pior, dão alimento para golpistas se passarem por perseguidos. Politicamente, inclusive, ser considerado injustiçado é um trunfo. Lula que o diga. O tom religioso de tantas falas na avenida Paulista, com citações a Jesus Cristo, corrobora a tese.

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Por pequenos gestos como estar em cerimônia ao lado de Lula no mesmo dia em que, a pouco mais 1 mil km de distância, em São Paulo, uma turba pede seu impeachment, Alexandre de Moraes – mesmo que haja justificativas institucionais - não parece se comportar com um juiz a analisar e julgar objetivamente os fatos. Ao indicar que haveria uma aliança entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, hoje, na prática, ajuda os verdadeiros golpistas a contarem sua história – clamando, para ironia da história, por liberdade.

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Dezenas de milhares de pessoas irem para as ruas para celebrar ou repudiar um juiz de direito não é uma circunstância que mostre saúde democrática. Até porque, em tese, o Judiciário deveria estar equidistante e ser imparcial nas lutas políticas. Mas foi o que ocorreu hoje na Avenida Paulista, quando a multidão pediu o impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes. Nesse sentido, Moraes, com toda sua hipotética consciência de que política é sobretudo simbolismo, coloca mais fogo nas labaredas ao aparecer juntamente com o presidente Lula no desfile de 7 de Setembro.

Alexandre de Moraes participou do desfile do 7 de Setembro, em Brasília, ao lado do presidente Lula Foto: Wilton Junior/Estadão

Muitas evidências indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter tentado permanecer ilegalmente no poder por meio de um golpe de Estado. Não conseguiu o apoio das Forças Armadas e por isso precisou recuar. Além disso, dia 8 de janeiro de 2023, vândalos que esperavam a efetivação desse golpe depredaram parcialmente as sedes dos Três Poderes, o Parlamento, o STF, e o Palácio do Planalto.

Crimes foram cometidos e a punição deveria ser exemplar. Alexandre de Moraes recebeu as atribuições de comandar esse processo e precisava mais do que nunca se mostrar imparcial. Mas deixou a autocontenção de lado. Instaurou censura prévia no Brasil, perseguiu anônimos, calou políticos e jornalistas, numa escalada que levou à proibição do “X” no Brasil, inserindo o País numa lista que inclui China, Coreia do Norte, Irã, Turcomenistão, Rússia e Mianmar – não por acaso países autocráticos ou ditatoriais.

Composta por MC Reaça, um rapper que morreu em 2019 em meio a um escândalo familiar, o hip hop “Suprema Vergonha Nacional” tocava em caixas de som dos trios elétricos da Paulista com a letra que continha o seguinte verso: “O Supremo Tribunal, maior corte do Brasil, virou vergonha nacional da pátria que nos pariu”, entre os que gritavam “ditadura do Judiciário”. Um sintoma de que parte da população brasileiro parece estar a um passo da desobediência civil. Qual seria a solução? Prender cerca de metade de população brasileira?

Na argumentação dos defensores do Supremo, todas as ações tomadas por Alexandre de Moraes são para salvar a democracia – mesmo que o pior já tenha passado há tanto tempo. Mas parecem fechar os olhos para os abusos cometidos e, pior, dão alimento para golpistas se passarem por perseguidos. Politicamente, inclusive, ser considerado injustiçado é um trunfo. Lula que o diga. O tom religioso de tantas falas na avenida Paulista, com citações a Jesus Cristo, corrobora a tese.

Por pequenos gestos como estar em cerimônia ao lado de Lula no mesmo dia em que, a pouco mais 1 mil km de distância, em São Paulo, uma turba pede seu impeachment, Alexandre de Moraes – mesmo que haja justificativas institucionais - não parece se comportar com um juiz a analisar e julgar objetivamente os fatos. Ao indicar que haveria uma aliança entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, hoje, na prática, ajuda os verdadeiros golpistas a contarem sua história – clamando, para ironia da história, por liberdade.

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Alexandre de Moraes participou do desfile do 7 de Setembro, em Brasília, ao lado do presidente Lula Foto: Wilton Junior/Estadão

Muitas evidências indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter tentado permanecer ilegalmente no poder por meio de um golpe de Estado. Não conseguiu o apoio das Forças Armadas e por isso precisou recuar. Além disso, dia 8 de janeiro de 2023, vândalos que esperavam a efetivação desse golpe depredaram parcialmente as sedes dos Três Poderes, o Parlamento, o STF, e o Palácio do Planalto.

Crimes foram cometidos e a punição deveria ser exemplar. Alexandre de Moraes recebeu as atribuições de comandar esse processo e precisava mais do que nunca se mostrar imparcial. Mas deixou a autocontenção de lado. Instaurou censura prévia no Brasil, perseguiu anônimos, calou políticos e jornalistas, numa escalada que levou à proibição do “X” no Brasil, inserindo o País numa lista que inclui China, Coreia do Norte, Irã, Turcomenistão, Rússia e Mianmar – não por acaso países autocráticos ou ditatoriais.

Composta por MC Reaça, um rapper que morreu em 2019 em meio a um escândalo familiar, o hip hop “Suprema Vergonha Nacional” tocava em caixas de som dos trios elétricos da Paulista com a letra que continha o seguinte verso: “O Supremo Tribunal, maior corte do Brasil, virou vergonha nacional da pátria que nos pariu”, entre os que gritavam “ditadura do Judiciário”. Um sintoma de que parte da população brasileiro parece estar a um passo da desobediência civil. Qual seria a solução? Prender cerca de metade de população brasileira?

Na argumentação dos defensores do Supremo, todas as ações tomadas por Alexandre de Moraes são para salvar a democracia – mesmo que o pior já tenha passado há tanto tempo. Mas parecem fechar os olhos para os abusos cometidos e, pior, dão alimento para golpistas se passarem por perseguidos. Politicamente, inclusive, ser considerado injustiçado é um trunfo. Lula que o diga. O tom religioso de tantas falas na avenida Paulista, com citações a Jesus Cristo, corrobora a tese.

Por pequenos gestos como estar em cerimônia ao lado de Lula no mesmo dia em que, a pouco mais 1 mil km de distância, em São Paulo, uma turba pede seu impeachment, Alexandre de Moraes – mesmo que haja justificativas institucionais - não parece se comportar com um juiz a analisar e julgar objetivamente os fatos. Ao indicar que haveria uma aliança entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, hoje, na prática, ajuda os verdadeiros golpistas a contarem sua história – clamando, para ironia da história, por liberdade.

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Alexandre de Moraes participou do desfile do 7 de Setembro, em Brasília, ao lado do presidente Lula Foto: Wilton Junior/Estadão

Muitas evidências indicam que o ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter tentado permanecer ilegalmente no poder por meio de um golpe de Estado. Não conseguiu o apoio das Forças Armadas e por isso precisou recuar. Além disso, dia 8 de janeiro de 2023, vândalos que esperavam a efetivação desse golpe depredaram parcialmente as sedes dos Três Poderes, o Parlamento, o STF, e o Palácio do Planalto.

Crimes foram cometidos e a punição deveria ser exemplar. Alexandre de Moraes recebeu as atribuições de comandar esse processo e precisava mais do que nunca se mostrar imparcial. Mas deixou a autocontenção de lado. Instaurou censura prévia no Brasil, perseguiu anônimos, calou políticos e jornalistas, numa escalada que levou à proibição do “X” no Brasil, inserindo o País numa lista que inclui China, Coreia do Norte, Irã, Turcomenistão, Rússia e Mianmar – não por acaso países autocráticos ou ditatoriais.

Composta por MC Reaça, um rapper que morreu em 2019 em meio a um escândalo familiar, o hip hop “Suprema Vergonha Nacional” tocava em caixas de som dos trios elétricos da Paulista com a letra que continha o seguinte verso: “O Supremo Tribunal, maior corte do Brasil, virou vergonha nacional da pátria que nos pariu”, entre os que gritavam “ditadura do Judiciário”. Um sintoma de que parte da população brasileiro parece estar a um passo da desobediência civil. Qual seria a solução? Prender cerca de metade de população brasileira?

Na argumentação dos defensores do Supremo, todas as ações tomadas por Alexandre de Moraes são para salvar a democracia – mesmo que o pior já tenha passado há tanto tempo. Mas parecem fechar os olhos para os abusos cometidos e, pior, dão alimento para golpistas se passarem por perseguidos. Politicamente, inclusive, ser considerado injustiçado é um trunfo. Lula que o diga. O tom religioso de tantas falas na avenida Paulista, com citações a Jesus Cristo, corrobora a tese.

Por pequenos gestos como estar em cerimônia ao lado de Lula no mesmo dia em que, a pouco mais 1 mil km de distância, em São Paulo, uma turba pede seu impeachment, Alexandre de Moraes – mesmo que haja justificativas institucionais - não parece se comportar com um juiz a analisar e julgar objetivamente os fatos. Ao indicar que haveria uma aliança entre o Palácio do Planalto e o Judiciário, hoje, na prática, ajuda os verdadeiros golpistas a contarem sua história – clamando, para ironia da história, por liberdade.

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Opinião por Fabiano Lana

Fabiano Lana é formado em Comunicação Social pela UFMG e em Filosofia pela UnB, onde também tem mestrado na área. Foi repórter do Jornal do Brasil, entre outros veículos. Atua como consultor de comunicação. É autor do livro “Riobaldo agarra sua morte”, em que discute interseções entre jornalismo, política e ética.

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