Projeto prevê volta da inspeção veicular na capital paulista


Proposta cria análise a cada 2 anos e multa de até R$ 5 mil; frota de ônibus terá 20 anos para zerar emissão de poluente

Por Bruno Ribeiro

SÃO PAULO - O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (DEM), aliado do prefeito João Doria (PSDB), pretende colocar em primeira votação nesta quinta-feira, 9, um projeto de lei que prevê a volta da inspeção veicular na cidade no fim de 2018, com multas que chegam a R$ 5 mil por veículo, em caso de desrespeito. O Projeto de Lei 300/2017 estabelece ainda um prazo de 20 anos para que os ônibus da cidade deixem de emitir dióxido de carbono (CO2), poluente associado ao efeito estufa. 

A vistoria veicular havia sido encerrada pela gestão Fernando Haddad (PT), após uma série de suspeitas sobre os contratos de serviço. O texto traz diferenças em relação ao modelo antigo. 

Ônibus em circulação no Terminal Parque D. Pedro, no centro da capital paulista
Ônibus em circulação no Terminal Parque D. Pedro, no centro da capital paulista Foto: Felipe Rau/Estadão
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+++ Presidente da Câmara propõe volta da inspeção veicular em SP

Agora, veículos de fora da cidade também serão obrigados a passar pela inspeção. Isso vale para carros que fazem viagens por aplicativos (como Uber, 99 e Cabify) dentro da capital paulista, táxis, fretados e para veículos de carga que descarregam no Município. A obrigatoriedade ainda atinge todas as pessoas físicas e jurídicas que mantenham contratos com a administração pública.

No caso dos emplacados em São Paulo, a inspeção só não será exigida de veículos novos, até o segundo (motos) ou terceiro ano (automóveis) depois da fabricação. A partir daí, a análise deverá ser a cada dois anos. A multa por descumprimento é de R$ 3,5 mil. 

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+++ SP deixou de arrecadar R$ 1,5 bi com inspeção

Já no caso dos caminhões, a multa chegará a R$ 5 mil – mesmo valor a ser cobrado dos carros de aplicativo que desrespeitarem a lei. Os estabelecimentos que recebem a carga do eventual infrator serão corresponsáveis pelo pagamento da multa, de acordo com o texto. O mesmo sistema valerá para os contratantes de transporte fretado.

Os detalhes da proposta foram apresentados nesta quarta-feira, 8, na Câmara, em uma reunião entre Milton Leite, o vereador Gilberto Natalini (PV), ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente que deixou a gestão em setembro, e representantes de entidades como o Greenpeace, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a ONG Cidade dos Sonhos. Outros 39 vereadores já assinaram o projeto. 

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Licitação

A nova proposta de mudança na Lei de Políticas Climáticas de São Paulo, de 2009, também passa a prever um prazo escalonado para a substituição da matriz energética da frota de ônibus. Em dez anos, ao menos 50% dos coletivos não poderão mais emitir CO². Nas primeiras discussões, o prazo de 20 anos era para que a frota usasse biodiesel, menos poluente que o diesel comum, mas ainda responsável por emissões.

A lei de 2009 previa que a frota deveria ser 100% limpa já no ano que vem, mas ela não foi cumprida pelas gestões Gilberto Kassab (PSD) nem Fernando Haddad (PT). Por causa da norma, a Prefeitura vinha argumentando que não tinha como lançar uma nova licitação para a frota de ônibus da cidade – não haveria dinheiro para trocar todos os 1.400 coletivos da capital de uma só vez.

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“As tabelas com os limites de emissões foram discutidas e aprovadas pelo Comitê do Clima da cidade. Uma mudança é que ela vale também para ônibus fretados, intermunicipais e veículos pesados que têm contrato com a Prefeitura, como os caminhões de lixo. Passa a incluir 60 mil veículos”, disse Natalini. 

Flavio Siqueira, representante da Cidade dos Sonhos, afirma que a nova proposta é um avanço, uma vez que agora há um prazo para as mudanças, mas diz que “a meta deveria ser mais audaciosa”. Ele afirma que as entidades haviam apresentado um estudo à Câmara Municipal que indicava ser possível fazer a migração da matriz energética em dez anos, de forma sustentável do ponto de vista econômico. O texto ainda altera para 20 anos o prazo da concessão dos ônibus do Município, que atualmente é de 15 anos – os contratos vigentes, de 2003, vêm sofrendo sucessivos aditamentos.

SÃO PAULO - O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (DEM), aliado do prefeito João Doria (PSDB), pretende colocar em primeira votação nesta quinta-feira, 9, um projeto de lei que prevê a volta da inspeção veicular na cidade no fim de 2018, com multas que chegam a R$ 5 mil por veículo, em caso de desrespeito. O Projeto de Lei 300/2017 estabelece ainda um prazo de 20 anos para que os ônibus da cidade deixem de emitir dióxido de carbono (CO2), poluente associado ao efeito estufa. 

A vistoria veicular havia sido encerrada pela gestão Fernando Haddad (PT), após uma série de suspeitas sobre os contratos de serviço. O texto traz diferenças em relação ao modelo antigo. 

Ônibus em circulação no Terminal Parque D. Pedro, no centro da capital paulista Foto: Felipe Rau/Estadão

+++ Presidente da Câmara propõe volta da inspeção veicular em SP

Agora, veículos de fora da cidade também serão obrigados a passar pela inspeção. Isso vale para carros que fazem viagens por aplicativos (como Uber, 99 e Cabify) dentro da capital paulista, táxis, fretados e para veículos de carga que descarregam no Município. A obrigatoriedade ainda atinge todas as pessoas físicas e jurídicas que mantenham contratos com a administração pública.

No caso dos emplacados em São Paulo, a inspeção só não será exigida de veículos novos, até o segundo (motos) ou terceiro ano (automóveis) depois da fabricação. A partir daí, a análise deverá ser a cada dois anos. A multa por descumprimento é de R$ 3,5 mil. 

+++ SP deixou de arrecadar R$ 1,5 bi com inspeção

Já no caso dos caminhões, a multa chegará a R$ 5 mil – mesmo valor a ser cobrado dos carros de aplicativo que desrespeitarem a lei. Os estabelecimentos que recebem a carga do eventual infrator serão corresponsáveis pelo pagamento da multa, de acordo com o texto. O mesmo sistema valerá para os contratantes de transporte fretado.

Os detalhes da proposta foram apresentados nesta quarta-feira, 8, na Câmara, em uma reunião entre Milton Leite, o vereador Gilberto Natalini (PV), ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente que deixou a gestão em setembro, e representantes de entidades como o Greenpeace, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a ONG Cidade dos Sonhos. Outros 39 vereadores já assinaram o projeto. 

Licitação

A nova proposta de mudança na Lei de Políticas Climáticas de São Paulo, de 2009, também passa a prever um prazo escalonado para a substituição da matriz energética da frota de ônibus. Em dez anos, ao menos 50% dos coletivos não poderão mais emitir CO². Nas primeiras discussões, o prazo de 20 anos era para que a frota usasse biodiesel, menos poluente que o diesel comum, mas ainda responsável por emissões.

A lei de 2009 previa que a frota deveria ser 100% limpa já no ano que vem, mas ela não foi cumprida pelas gestões Gilberto Kassab (PSD) nem Fernando Haddad (PT). Por causa da norma, a Prefeitura vinha argumentando que não tinha como lançar uma nova licitação para a frota de ônibus da cidade – não haveria dinheiro para trocar todos os 1.400 coletivos da capital de uma só vez.

“As tabelas com os limites de emissões foram discutidas e aprovadas pelo Comitê do Clima da cidade. Uma mudança é que ela vale também para ônibus fretados, intermunicipais e veículos pesados que têm contrato com a Prefeitura, como os caminhões de lixo. Passa a incluir 60 mil veículos”, disse Natalini. 

Flavio Siqueira, representante da Cidade dos Sonhos, afirma que a nova proposta é um avanço, uma vez que agora há um prazo para as mudanças, mas diz que “a meta deveria ser mais audaciosa”. Ele afirma que as entidades haviam apresentado um estudo à Câmara Municipal que indicava ser possível fazer a migração da matriz energética em dez anos, de forma sustentável do ponto de vista econômico. O texto ainda altera para 20 anos o prazo da concessão dos ônibus do Município, que atualmente é de 15 anos – os contratos vigentes, de 2003, vêm sofrendo sucessivos aditamentos.

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SÃO PAULO - O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (DEM), aliado do prefeito João Doria (PSDB), pretende colocar em primeira votação nesta quinta-feira, 9, um projeto de lei que prevê a volta da inspeção veicular na cidade no fim de 2018, com multas que chegam a R$ 5 mil por veículo, em caso de desrespeito. O Projeto de Lei 300/2017 estabelece ainda um prazo de 20 anos para que os ônibus da cidade deixem de emitir dióxido de carbono (CO2), poluente associado ao efeito estufa. 

A vistoria veicular havia sido encerrada pela gestão Fernando Haddad (PT), após uma série de suspeitas sobre os contratos de serviço. O texto traz diferenças em relação ao modelo antigo. 

Ônibus em circulação no Terminal Parque D. Pedro, no centro da capital paulista Foto: Felipe Rau/Estadão

+++ Presidente da Câmara propõe volta da inspeção veicular em SP

Agora, veículos de fora da cidade também serão obrigados a passar pela inspeção. Isso vale para carros que fazem viagens por aplicativos (como Uber, 99 e Cabify) dentro da capital paulista, táxis, fretados e para veículos de carga que descarregam no Município. A obrigatoriedade ainda atinge todas as pessoas físicas e jurídicas que mantenham contratos com a administração pública.

No caso dos emplacados em São Paulo, a inspeção só não será exigida de veículos novos, até o segundo (motos) ou terceiro ano (automóveis) depois da fabricação. A partir daí, a análise deverá ser a cada dois anos. A multa por descumprimento é de R$ 3,5 mil. 

+++ SP deixou de arrecadar R$ 1,5 bi com inspeção

Já no caso dos caminhões, a multa chegará a R$ 5 mil – mesmo valor a ser cobrado dos carros de aplicativo que desrespeitarem a lei. Os estabelecimentos que recebem a carga do eventual infrator serão corresponsáveis pelo pagamento da multa, de acordo com o texto. O mesmo sistema valerá para os contratantes de transporte fretado.

Os detalhes da proposta foram apresentados nesta quarta-feira, 8, na Câmara, em uma reunião entre Milton Leite, o vereador Gilberto Natalini (PV), ex-secretário do Verde e do Meio Ambiente que deixou a gestão em setembro, e representantes de entidades como o Greenpeace, o Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) e a ONG Cidade dos Sonhos. Outros 39 vereadores já assinaram o projeto. 

Licitação

A nova proposta de mudança na Lei de Políticas Climáticas de São Paulo, de 2009, também passa a prever um prazo escalonado para a substituição da matriz energética da frota de ônibus. Em dez anos, ao menos 50% dos coletivos não poderão mais emitir CO². Nas primeiras discussões, o prazo de 20 anos era para que a frota usasse biodiesel, menos poluente que o diesel comum, mas ainda responsável por emissões.

A lei de 2009 previa que a frota deveria ser 100% limpa já no ano que vem, mas ela não foi cumprida pelas gestões Gilberto Kassab (PSD) nem Fernando Haddad (PT). Por causa da norma, a Prefeitura vinha argumentando que não tinha como lançar uma nova licitação para a frota de ônibus da cidade – não haveria dinheiro para trocar todos os 1.400 coletivos da capital de uma só vez.

“As tabelas com os limites de emissões foram discutidas e aprovadas pelo Comitê do Clima da cidade. Uma mudança é que ela vale também para ônibus fretados, intermunicipais e veículos pesados que têm contrato com a Prefeitura, como os caminhões de lixo. Passa a incluir 60 mil veículos”, disse Natalini. 

Flavio Siqueira, representante da Cidade dos Sonhos, afirma que a nova proposta é um avanço, uma vez que agora há um prazo para as mudanças, mas diz que “a meta deveria ser mais audaciosa”. Ele afirma que as entidades haviam apresentado um estudo à Câmara Municipal que indicava ser possível fazer a migração da matriz energética em dez anos, de forma sustentável do ponto de vista econômico. O texto ainda altera para 20 anos o prazo da concessão dos ônibus do Município, que atualmente é de 15 anos – os contratos vigentes, de 2003, vêm sofrendo sucessivos aditamentos.