O coronel Gérson Nunes Pereira, ex-comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, foi preso nesta quinta-feira por ter ignorado convocações para depor num processo em que é acusado de prevaricação. Ele foi conduzido ao 4º Regimento de Polícia Montada, em Porto Alegre, onde passaria a noite aguardando que seus advogados conseguissem habeas-corpus. Na raiz do polêmico caso está o ato de destruição de um relógio que comemorava os 500 anos do descobrimento do Brasil, em 2000. O coronel João Alberto Monteiro trabalhou no inquérito que indiciou alguns oficiais vinculados ao gabinete da Secretaria da Justiça e Segurança como co-autores dos atos de vandalismo. Em 2002, foi afastado do cargo que ocupava no Departamento Administrativo e nomeado para o Comando de Policiamento Metropolitano em Canoas. Monteiro considerou a determinação do então comandante Pereira como perseguição política. Além disso, passou a enfrentar inquéritos por falta ao serviço e desobediências a ordens, que acabaram arquivados ?por falta de justa causa?. Revoltado por estar se sentindo vítima de abuso de poder, Monteiro decidiu processar o comandante. Em dezembro do ano passado, a promotoria do Tribunal de Justiça Militar entendeu que era possível enquadrar a suposta perseguição como prevaricação e denunciou Pereira. Depois de saber, na quarta-feira, que sua prisão preventiva estava decretada, o coronel apresentou-se ao presidente do tribunal nesta quinta-feira, alegando que não havia sido notificado das audiências dos dias 24 de março e 12 de abril e proclamando que não é um criminoso para ser preso. Agora foi a vez de os deputados petistas falarem em perseguição política, porque Pereira ocupou o mais alto cargo da Brigada Militar durante o governo de Olívio Dutra, terminado no ano passado.