Litoral é menos eficiente nos gastos com educação

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Por AE

Estudo inédito de pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta a Baixada Santista como a menos eficiente na aplicação dos recursos em educação entre 15 regiões do Estado de São Paulo. Na outra ponta, a região que melhor aplica o dinheiro destinado ao ensino público municipal é a de Barretos, conhecida pelas festas de peão. Obtido com exclusividade pelo jornal O Estado da São Paulo, o estudo traçou pela primeira vez um mapa da eficiência dos gastos com educação em São Paulo. O ineditismo é o fato de ele cruzar as notas dos estudantes em provas oficiais com o recurso investido na educação da cidade. "Os municípios mais eficientes são os que têm melhores resultados com menos dinheiro. É uma questão de gestão", explica o professor da FGV Paulo Arvate, um dos coordenadores do trabalho. O pesquisador afirma que os resultados devem ser analisados de maneira relativa e que os rankings mostram as regiões de acordo com a eficiência na aplicação dos recursos, ou seja, investimentos que se traduzem em qualidade. Na Baixada Santista, por exemplo, 32,6% dos recursos acabam desperdiçados. Na Grande São Paulo, a quinta pior região, o índice é de 26,5%. Isso equivale à quantidade de recursos a menos que a região poderia ter usado e, mesmo assim, atingir o mesmo desempenho das mais eficientes. O estudo considerou como indicador de aprendizagem dos alunos o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), criado há dois anos pelo Ministério da Educação e que se tornou referência para indicar a qualidade das escolas públicas brasileiras. A região de São José do Rio Preto, que agrega 94 municípios no noroeste paulista, teve o maior Ideb das 15 regiões administrativas em que é dividido o Estado. Só na cidade de Rio Preto, por exemplo, o Ideb da 4ª série foi de 5,2, próximo da média 6 considerada pelo MEC como o índice que teriam países desenvolvidos. O gasto por aluno na região também é alto, o segundo maior de São Paulo. Mesmo assim, está em quarto lugar na eficiência, com 20,5% de desperdício. A região de Barretos teve o segundo melhor Ideb (por volta de 4,5), mas registra o quarto menor gasto com educação do Estado. Daí vem a posição privilegiada no ranking de eficiência. A área de Franca, que inclui Ituverava, Batatais e Orlândia, tem o maior gasto por aluno de São Paulo. A cidade de Franca, por exemplo, investe R$ 3.578,70 por estudante, ao ano, segundo informações da FGV baseadas em dados dos orçamentos municipais. No ranking da eficiência, a região está em penúltimo lugar. A média do custo/aluno no Estado varia de R$ 2 mil a R$ 4 mil anuais. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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