Cartas de Amor, livro com correspondências de Fernando Pessoa (1888-1935), será lançado em abril, com edição do colombiano Jerónimo Pizarro, pela Tinta-da-China Brasil.
Especialista em literatura portuguesa, professor da Universidade dos Andes, em Bogotá, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e responsável pela Coleção Pessoa da editora, Jerónimo Pizarro vem País para apresentar este “álbum visual” - e sentimental - do poeta português, na 20ª edição do Flipoços, que ocorre de 26 de abril e 4 de maio em Poços de Caldas (sua participação será nos dias 1º e 2).
É ele quem assina, também, a apresentação da obra - recheada de reproduções de manuscritos e datiloscritos. Nela, ela conta o percurso editorial e os bastidores das cartas que Fernando Pessoa enviava para Ofélia Queiroz, sua namorada - e seu relacionamento mais conhecido -, e para uma britânica para quem o poeta dedicou cartas e poemas de amor. Fernando Pessoa se apaixonou por Madge Anderson, a “rapariga loira” de alguns de seus poemas, no fim de vida.

“Esta minha carta será simplesmente um pedido de desculpas. Chegaste aqui quando eu estava a afundar‑me e por cá ficaste até eu me ter afundado. Desde então, já voltei à superfície (...)”, escreve ele em setembro de 1935.
Ela responde prontamente: “A chegada da tua carta foi um grande prazer, mas a sua substância é um tanto angustiante. Sinto que posso compreender a tua atitude, mas ela deixa‑me algo exasperada. Algo deveria ser feito contigo, mas não sei por quem, dada essa tua deplorável falta de força de vontade para o fazeres por ti próprio (....)“.
Ao fim, ela o chama de “velho tonto e dramático”.
Ele escreve outra carta, em outubro, dizendo que “velho tonto dramático” era praticamente a melhor definição que se poderia dar dele. Veja na imagem abaixo o rascunho na íntegra.

Fernando Pessoa morreu semanas depois, aos 47 anos, após uma breve internação.