Nesta semana, perdemos Arnaldo Jabor e passei dias relendo e revendo seus depoimentos em vídeo e me surpreendendo com suas falas. Fazia tempo que eu não via Jabor falar e entendi porque, mesmo sem vê-lo e ouvi-lo por algum tempo, o saber que ele ainda existia por aqui preenchia um espaço que agora carece de massa.
Jabor tinha uma visceralidade ao nos colocar diante dos assuntos e imprimia uma urgência pela transformação do fato. Não se podia ver, ouvir, ler Jabor sem se sentir em posição de ação. Gostava e falava de política, economia, relações internacionais, mas o que mais o diferenciava de outros gênios da comunicação era contar seu olhar único, ao pinçar assuntos do cotidiano em um discurso que traduzia nossa indignação, amor e sentimento como sociedade.
Com seu poder de síntese e uma tremenda noção do que importava e do que era descartável, Arnaldo Jabor parecia ter uma bússola dos fatos que mereciam a nossa atenção. Em um mundo onde o volume de informação tem até nome, infomedia, em que nos perdemos em posts sem importância e seguimos e somos perseguidos por informações que desinformam, ter Jabor na condução do que era vital trazia conforto.

Jabor tinha o poder de nos afastar de falas vazias, teorias infundadas, mentalidades tacanhas e ausência de imaginação. Ele era claro, tão claro que assustava, nos paralisava em frente à TV, onde era impossível se perder em outra tela enquanto ele aparecia. A figura do homem grande e, quase sempre, descabelado impactava e era seguida pela postura, pela entonação da voz, que falava sem medo de ser ouvida. Jabor estava doente e não trazia suas opiniões há algum tempo. Querer sua presença física por aqui era puro egoísmo.
Mas perder essa presença que já estava ausente é necessitar de mais responsabilidade quanto à curadoria do que interessa. É se esforçar para refletir e se indignar sem um guia, é ter em mente a importância de fortalecer um discurso claro em um mundo onde o relativismo é tendência. É também ser um pouco mais triste sem saber a opinião de Jabor.