A edição de 2025 do Lollapalooza Brasil chegou ao final na noite deste domingo, 30, depois de três dias em que mais de 70 atrações se apresentaram em quatro diferentes palcos instalados no Autódromo de Interlagos, na zona sul da cidade
Neste ano, o festival que surgiu nos Estados Unidos, no início dos anos 1990, com a proposta de ser palco para a música alternativa, mostrou que sua cara agora é cada vez mais pop, movimento que já vinha ocorrendo nos últimos anos.

O evento deu espaço a artistas como as cantoras Olivia Rodrigo e Tate McRae e ao cantor Benson Boone, artistas jovens, com grande apelo nas redes sociais - um convite para que a geração Z começasse a frequentar o festival - e isso funcionou no primeiro dia, quando Olivia fez sua estreia no Brasil, no palco do Lolla.

No segundo dia, no sábado, Alanis Morissette, ídolo dos anos 1990, levou fãs mais nostálgicos ao evento. Eles curtiram a cantora e depois ficaram para ver Shawn Mendes, que voltou ao País pouco mais de seis meses depois de ser uma das atrações do Rock in Rio 2024.

No domingo, os destaques foram as bandas Foster The People, que não tocava por aqui há quase uma década, e Sepultura, que fez apresentação em tom de despedida. Encerrando o festival, Justin Timberlake, que não entrou em acordo com a produção do festival para que seu show fosse transmitido pela TV Globo.
O Estadão lista abaixo os sete principais momentos do Lollapalooza 2025, entre as apresentações que foram acompanhadas pela reportagem, na ordem:
Alanis Morissette

Em um ano com tantas atrações jovens, voltadas para os tiktokers, a decana Alanis trouxe de volta as boas canções pop dos anos 1990, com força e talento no palco do Lolla. Com músicas de diferentes fases de sua carreira, mas, sobretudo, do lendário álbum Jagged Little Pill, que fez dela uma estrela mundial, Alanis, aos 50 anos, se mostrou segura vocalmente, com uma banda enxuta e competente a seu favor. Alanis nadou de muitas braçadas no festival - isso para quem considera a música a atração principal, obviamente.
Justin Timberlake

Justin Timberlake subiu ao Palco Budweiser neste domingo, 30, para encerrar o festival. Ele não vive boa fase na carreira: seu último álbum foi recebido com indiferença e ele esteve recentemente envolvido em uma polêmica de Britney Spears, que o acusou a pressioná-la a fazer um aborto. Conseguiu driblar todas as críticas e fez um show digno de headliner. Recheou o setlist com seus maiores sucessos, explorou cada canto do palco e fez com que o público até esquecesse os celulares para dançar com ele. Seu show não foi transmitido - uma pena.
Olivia Rodrigo

Olivia Rodrigo era uma das atrações mais esperadas - se não a mais esperada da edição. Levou um público da geração Z para vê-la no Palco Budweiser na sexta, 28, vestindo roupas roxas e brilhantes. Fez uma verdadeira terapia coletiva com músicas sobre inseguranças e ex-namorados. Na metade do show, porém, foi prejudicada pela apresentação que ocorria no Palco Perry’s. Apesar disso, conseguiu se impor e entregou um dos melhores shows do festival.

O cantor de 22 anos, detentor do hit Beautiful Things e de uma apresentação marcante no Grammy 2025, fez sua estreia no Brasil - e na América Latina - na esteira do sucesso de seu primeiro álbum, Fireworks & Rollerblades. Nome impulsionado pelo TikTok, Boone se mostrou empenhado no palco, em show com bons momentos. Sua pegada country o torna interessante e com mais camadas que Shawn Mendes. Com clara inspiração visual e comportamental em Freddie Mercury, Boone adora dar cambalhotas no palco, a partir de um piano. Até isso funciona.
Shawn Mendes

O cantor e compositor canadense esteve no Brasil há pouco mais de seis meses, no Rock in Rio, em sua primeira apresentação após uma pausa na carreira para tratar de questões de saúde mental. Por isso, era difícil cobrar dele um show totalmente diferente do que havia apresentado antes. Embora nesse meio tempo ele tenha lançado um novo álbum, Mendes foi no arroz com feijão. Cantou três músicas novas, mas deu mesmo ênfase às mais conhecidas de sua carreira, além de seu show de simpatia que, invariavelmente, conquista a plateia.

A cantora e compositora, nome seminal no pop rock brasileiro, fez um show ainda com o sol quente e conquistou um público de idade bastante variada. Dentro de suas possibilidades vocais atuais, Marina cantou seus principais hits de carreira - não faltaram Fullgás e À Francesa. A certa altura, precisou se impor para que o volume de sua guitarra fosse aumentado. Muitos viram a atitude como grosseria, mas Marina só tinha uma chance de, aos 69 anos, ter o público nas mãos. E conseguiu. Ainda contou com a participação de Pabllo Vittar que, se não foi significativa musicalmente, teve muitos significados social e político.
Tate McRae

A cantora do hit Greedy escolheu deixar sua canção viral do TikTok para o final do show. Ocupou o palco do Lolla no sábado, 29, para provar que, para além do talento vocal, é a dança que lhe faz ser uma diva pop em ascensão. A apresentação foi repleta de dance breaks e bases pré-gravadas, mas também teve momentos que deram espaço para que a cantora mostrasse seu talento vocal, como em You Broke Me First, música que escreveu com 16 anos.