BRASÍLIA – O Banco de Brasília (BRB) anunciou na última sexta-feira, 28, a compra uma fatia do Banco Master por cerca de R$ 2 bilhões. A operação está sob os holofotes do mercado financeiro e ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O Banco Master vem levantando preocupações em relação a sua estratégia agressiva na captação de recursos: fortes emissões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) a pessoas físicas com rentabilidade bem acima da média do mercado, chegando a R$ 140% do CDI (taxa próxima à Selic). Assim, há questionamentos sobre a real capacidade do banco de honrar esses compromissos, ou seja, essas dívidas.
Os CDBs emitidos pelo banco consumiriam 42% do patrimônio líquido do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que funciona como um seguro do sistema financeiro para socorrer clientes de bancos em caso de quebra. As pessoas físicas são garantidas pelo FGC em até R$ 250 mil por CPF e por instituição bancária.
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Como mostrou o Estadão, dentro do BRB, a compra do Master é comparada ao Proer, programa oficial de socorro a bancos nos anos 90. Isso significa que o BRB vai incorporar os ativos do Master que têm valor, deixando para trás as operações consideradas problemáticas, que terão outro fim. Com esse desenho, na visão do BRB, um risco potencial para o sistema financeiro ficaria menor.
Apesar do anúncio de compra do Master pelo BRB, pessoas envolvidas na negociação não descartam que o BTG Pactual ainda possa entrar no negócio. O banco, que é liderado por André Esteves, chegou a analisar os ativos do Master, mas não levou a oferta adiante.