
O crescimento no diagnóstico do transtorno do espectro autista (TEA) no País, que acompanha uma tendência global, teve um efeito colateral inesperado: o surgimento de uma rede especializada no tratamento de neurodiversidade, inédita por aqui. Com a explosão na demanda por um tratamento sem grande representatividade nos custos antes da pandemia, bem como no número de fraudes, as empresas de saúde passaram a tentar controlar a distorção repentina. Entre as soluções, está o investimento em clínicas especializadas, centrais exclusivas de atendimento e cadastramento de prestadores de serviços selecionados. Além, é claro, da intensificação no combate a fraudes.
Com quase 16 milhões de beneficiários, a Hapvida é conhecida por sua operação verticalizada e, até agora, abriu 86 unidades exclusivas para pacientes com TEA, distribuídas pelas cinco regiões do País. Apenas no ano passado, investiu R$ 40 milhões em 35 novas unidades e 366 salas, com capacidade de atendimento de 30 mil pacientes com o transtorno.
Nas clínicas, há profissionais multidisciplinares, como psicólogos, psicopedagogos, psicomotricistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fisioterapeutas e musicoterapeutas. Todos são especialistas em atender pacientes com neurodivergência, como TEA e TDAH (transtorno do déficit de atenção e hiperatividade).
Vem mais por aí
Para 2025, a Hapvida prevê abrir mais 15 unidades e 212 novas salas de atendimento. O investimento estimado será novamente de R$ 40 milhões.
O Bradesco Saúde fez uma central de atendimento exclusiva para os pacientes com TEA. Também duplicou a rede de prestadores para atendimento ao transtorno, com mais de 570 credenciados no País.
Já a SulAmérica inaugurou, no ano passado, a primeira clínica Aproximar em Santo André, na região metropolitana da capital. Prevê expansão da rede para todo País , mas não dá detalhes de investimentos.
Movimento acompanha a demanda
O movimento atende a uma demanda recente dos clientes dos planos de saúde, com a alta no diagnóstico do transtorno no pós-pandemia. Para se ter uma ideia do crescimento da condição, o Censo Escolar de 2022 contou 429 mil alunos matriculados com TEA, com alta de 280% sobre o ano anterior. Em 2023, dado mais recente, o número de matrículas chegou a 636 mil alunos com o diagnóstico, com crescimento de 48%.
Esses números têm reflexos, por consequência, na saúde. Segundo ofício da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) enviado à CPI dos Planos de Saúde no Rio de Janeiro, o número de pessoas com deficiência nos planos de saúde associados passou de 22.119, em 2019, para 47.846, até maio do ano passado. A alta foi de 116%. Não é possível saber quantos, entre os deficientes, são portadores de TEA por sigilo de dados.
Para Walter Cintra Ferreira, médico sanitarista e professor de gestão em saúde da FGV, tem havido uma condução desastrada, por parte do poder público, desde que o tema se tornou evidente. “Não houve, até agora, um regramento técnico baseado em evidências para o tratamento e o cuidado desse transtorno”, diz ele. “Com toda a empatia às famílias dos portadores de TEA, já que não é possível deixar ninguém desassistido, os tratamentos já deveriam estar determinados há tempos e com uma discussão madura sobre o tema, dentro da estrutura atuarial dos planos de saúde.”
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 24/02/2025, às 17:15.
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