
O BB Premium Malls, fundo imobiliário do Banco do Brasil por trás dos maiores negócios recentes envolvendo shoppings centers no País, foi autorizado a captar até R$ 1,5 bilhão por meio de emissão de cotas. Se a medida for colocada em prática, representará uma das maiores emissões do setor. Entretanto, o BB Malls não tem planos de fazer uma captação neste momento de mercado em que as cotas estão amplamente desvalorizadas. A Coluna apurou que o fundo pretende deixar isso para outro momento, quando surgirem eventuais oportunidades de aquisições estratégicas. Por ora, o BB Malls considera alternativas para fazer frente à sua última aquisição, o que inclui uso de caixa e alternativas como um certificado de recebível imobiliário (CRI), que teria como garantia a receita dos shoppings.
Em dezembro, a Brookfield acertou a venda de suas participações de 55,9% no Pátio Paulista e 50,1% no Pátio Higienópolis pelo montante de R$ 2,585 bilhões, dos quais 70% à vista e o restante em duas parcelas anuais corrigidas pelo CDI. A compra foi selada por um consórcio formado por Iguatemi em parceria com o BB Malls e outros fundos. O BB Malls ficou como o maior comprador individual, responsável por um desembolso de R$ 800 milhões, o que lhe dará direito a 16,7% e 16,5% nos shoppings, respectivamente.
O BB Malls explicou à Coluna que não precisa fazer uma emissão de cotas agora porque foram firmados documentos preliminares prevendo o uso de recursos do caixa, captações e/ou obrigação obtida via emissão de CRI tendo como garantia os fluxos das receitas dos shoppings. “Há outros mecanismos no mercado financeiro que possibilitam que a BB Asset (gestora do fundo) possa honrar a referida obrigação”, informou o fundo.
O BB Malls fez uma assembleia em janeiro para aprovar mudanças em seus regulamentos. E uma delas foi a possibilidade de oferta de cotas com valor abaixo do patrimonial. Atualmente, suas cotas são negociadas com desconto de 68%. Em documento aos cotistas, o fundo argumentou que, com essa mudança, conseguirá “flexibilidade para a captação de recursos”, fator que é “essencial para que, em diferentes momentos de mercado e diante de novas oportunidades, o fundo possa tomar com velocidade decisões estratégicas, mantendo-se preparado para concretizar negócios relevantes aos cotistas”.
Veículo tem parceria com o Iguatemi
O fundo do BB foi criado em abril de 2024 e fechou janeiro com patrimônio de R$ 950 milhões e 28,6 mil cotistas. O foco da carteira são shoppings voltados para públicos das classes A e B, como são os casos dos comprados em dezembro em São Paulo, e do Rio Sul, em Botafogo, zona sul do Rio de Janeiro. O BB Malls tem parceria com o Iguatemi, que opera 14 shoppings, dois outlets e quatro torres comerciais.
O BB Malls tem ainda a possibilidade de vender os shoppings para a própria Iguatemi a partir do seu segundo ano de funcionamento, com o preço original de aquisição corrigido por IPCA mais 7% ao ano. Para o fundo, isso funciona como uma avenida para saída do investimento com garantia de valorização. Para a companhia, é uma garantia de opção de compra dos ativos, dosando sua estrutura de capital, volume de dívida e capacidade de investimentos.
A aquisição dos shoppings Pátio Paulista e Higienópolis ainda não foi totalmente concluída e o fundo espera que no segundo semestre deste ano já consiga fazer a inclusão integral dos resultados dos dois centros de compras.
Esta notícia foi publicada no Broadcast+ no dia 14/02/2025, às 15:21.
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