Uma onda de otimismo está varrendo a Europa, como não se via havia pelo menos três décadas, depois que o Parlamento da Alemanha aprovou, na semana passada, uma reforma fiscal que deve injetar mais de € 1 trilhão em gastos com defesa e em investimentos em infraestrutura ao longo dos próximos dez anos. A expectativa é de que, como a Alemanha é o motor da economia europeia, o PIB de outros países da Zona do Euro vai receber um importante impulso, num efeito dominó.
E investidores, que só buscavam oportunidades em outras regiões do mundo nos últimos anos, já estão agora mirando a Zona do Euro, mesmo com a ameaça iminente das tarifas de importação pelos EUA a produtos da União Europeia, anunciadas pelo presidente Donald Trump. É justamente pelo potencial impacto das tarifas de importação, caso elas entrem, de fato, em vigor, que os analistas revisaram apenas timidamente as suas projeções de crescimento do PIB da Zona do Euro para 2025. Mas as estimativas para o desempenho de 2026 em diante deram um salto, em razão do estímulo fiscal na Alemanha.
“Euroforia!”, declarou, com o neologismo, o economista-chefe do banco alemão Berenberg, Holger Schmieding, sobre o sentimento em relação à economia da Zona do Euro após o pacote fiscal alemão. Ele acredita que outros países europeus também vão elevar seus gastos com defesa. Para o PIB alemão, Schmieding prevê um ritmo de crescimento anual ao redor de 1,4% em 2026 e em 2027. É bom lembrar que a economia alemã esteve praticamente estagnada nos últimos quatro anos, inclusive, contraindo 0,2% em 2024.
Outros analistas de grandes bancos também esperam um efeito maior sobre o PIB alemão e da Zona do Euro a partir de 2026. O Goldman Sachs revisou de 0% para expansão de 0,2% a estimativa para o PIB alemão neste ano, mas elevou em 0,5 ponto porcentual a sua previsão para 2026 (crescimento de 1,5%), e em 0,6 ponto para a de 2027 (para 2%). Já para a Zona do Euro, a projeção do banco é de crescimento de 0,8% em 2025; 1,3% em 2026; e 1,6% em 2027.

São realmente números bem melhores para uma região que sofre com falta de dinamismo econômico desde a grande crise financeira mundial, de 2008. Naquela época, os PIBs da Zona do Euro e dos EUA eram equivalentes em tamanho. Hoje, a economia americana é quase o dobro da europeia.
As novas estimativas podem ser qualificadas como euforia? Dificilmente. Mas a ressurgência da economia europeia deve melhorar o equilíbrio de forças geopolíticas no mundo. Sem falar no fortalecimento do euro ante o dólar.