A inteligência artificial (IA) regenerativa está revolucionando os mercados tecnológicos em ritmo acelerado. Ao mesmo tempo, várias questões estão surgindo e criando ansiedade nas pessoas. O que a IA provocará de mudanças nas empresas e nos empregos? Irá trazer resultados melhores ou piores? Em recente artigo, intitulado “O quê o setor financeiro nos diz sobre o futuro da IA”, Mihir A. Desai, professor de Harvard, defende que um olhar sobre o setor financeiro permite que esbocemos algumas dessas respostas.
Afinal, o mundo das finanças tem o processamento de informações como sua função central nos mercados financeiros, permitindo dessa forma que essa indústria nos dê uma prévia do que pode acontecer. O artigo argumenta que pode ser encorajador o que a experiência financeira tem mostrado. Mas ao mesmo tempo preocupante, uma vez que alguns setores devem ser rapidamente transformados, beneficiando especialmente os grandes players do mercado.
Isso, porém, não significa que o sistema geral ficará em melhor situação. Interessante notar que, assim como a IA torna os participantes individuais mais inteligentes, pode resultar num mundo mais burro, com menos criatividade.
O artigo traz dados que ilustram bem essa situação. Nos últimos 15 anos, o setor de fundos mútuos teve um aumento de gestores passivos, aqueles que acompanham índices de mercado, e a redução de gestores ativos, os que fazem análises para buscar as melhores oportunidades, isto porque o volume de dados e a tecnologia tornaram os fundos passivos mais competitivos. Os investimentos quantitativos também se tornaram uma realidade, com grande capacidade de análise de alto volum de dados, em curto prazo, baseados em fundamentos.
Por outro lado, o cliente mantém a sua preferência por humanos, fazendo com que os consultores robóticos sejam eclipsados. A experiência do mundo financeiro sugere que nem tudo muda tão rapidamente quanto as pessoas preveem. Este artigo traz elementos para nossa reflexão sobre o papel da IA, particularmente, no mundo das finanças.
Não há dúvidas que inteligência artificial pode ser extremamente eficaz na análise de grandes volumes de dados, identificação de padrões e previsão de tendências. Mas, há aspectos da tomada de decisão de investimentos que ainda dependem da criatividade e do discernimento humano.
O ser humano é capaz de analisar os dados combinando com intuição, experiência e ainda interpretando notícias ecentes, tendências sociais e políticas – não totalmente capturadas pela IA. A combinação de habilidades humanas e capacidades da IA pode nos proporcionar uma abordagem mais robusta e completa para a tomada de decisões de investimentos, da mesma forma que em todos outros processos de decisão humana.
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