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Economista

Opinião | Há uma bola quicando para que um novo arranjo político impulsione um projeto de modernização

Meu novo livro, ‘A vingança de Tocqueville’, é uma modesta tentativa de contribuir para essa reflexão, visando à próxima década

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Foto do author Fabio Giambiagi

Acaba de chegar às livrarias A vingança de Tocqueville (Editora Alta Books), em que procuro expor a visão de quem acompanha a economia há quatro décadas. Procurei explicar, de forma compreensível para o leigo e em linguagem leve, como chegamos até aqui e o rumo aonde deveríamos apontar.

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O título do livro se inspira na frase de Alexis de Tocqueville de que “é preciso que os governantes se apliquem em dar aos homens esse gosto pelo futuro. E que, sem o dizer, ensinem a cada dia aos cidadãos que a riqueza, o renome, o poder são o preço do trabalho. Que os grandes triunfos se encontram situados ao cabo dos longos desejos, e que nada se obtém de durável senão aquilo que se adquire com dificuldade”, tarefa à qual não se pode dizer que nossos governos tenham se dedicado com muito afinco nas últimas quatro décadas.

Ao mesmo tempo, no capítulo conclusivo, há um quadro em que tento listar as principais reformas feitas desde 1990, e dá para ver que a relação é bastante respeitável. Ela inclui a abertura, a privatização de indústrias e o Plano Real nos governos Collor/Itamar; um notável legado de avanços institucionais no governo FHC, com a estabilização, o fim dos monopólios estatais, a mudança do tratamento ao capital estrangeiro, a privatização de serviços públicos, as agências reguladoras, o saneamento do sistema financeiro (Proer), a Lei de Responsabilidade Fiscal e as metas de inflação; a taxação dos inativos, as reformas microeconômicas e a criação da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp) nos governos do PT; a reforma trabalhista, a Taxa de Longo Prazo (TLP) e o teto de gastos no governo Temer; a autonomia do Banco Central, a reforma previdenciária, a privatização da Eletrobras e os novos marcos regulatórios no governo Bolsonaro; e a reforma tributária no governo atual.

Há um quadro no livro em que tento listar as principais reformas feitas desde 1990, e dá para ver que a relação é bastante respeitável Foto: Kayo Magalhães/Agência Câmara

O que falta? Grandes acordos para empreender as tarefas pendentes, entre as quais há duas essenciais: 1) um ajuste fiscal; e 2) um avanço da produtividade.

O Chile deu um salto no seu desenvolvimento pós-Pinochet, quando uma coalizão permitiu 30 anos de desenvolvimento. O Brasil finalmente conseguiu acabar com a hiperinflação quando Fernando Henrique Cardoso liderou uma coalizão sólida entre PSDB e o antigo PFL para deixar para trás duas décadas de alta inflação. Falta ao Brasil ter uma coalizão pró-modernização do Estado, da política e do País. Há uma bola quicando para que um novo arranjo político impulsione um projeto de modernização. O livro é uma modesta tentativa de contribuir para essa reflexão, visando à próxima década.

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Opinião por Fabio Giambiagi

Economista, formado pela FEA/UFRJ, com mestrado no Instituto de Economia Industrial da UFRJ

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