BRASÍLIA – O governo Lula liberou o pagamento do Auxílio Gás de fevereiro após ficar sem dinheiro no Orçamento para custear o benefício em 2025. A verba, de R$ 572 milhões, é suficiente apenas para o pagamento da parcela deste mês. O dinheiro ainda não foi entregue às famílias beneficiadas, mas já foi autorizado.
O Executivo não colocou recursos suficientes no Orçamento de 2025, que ainda não foi aprovado pelo Congresso, contando com a aprovação de um projeto de lei que libera repasses paralelos, sistemática questionada por especialistas e por integrantes da equipe econômica do próprio governo.

Para sustentar o restante do Auxílio Gás ao longo do ano (são seis parcelas no total) no formato atual, serão necessários mais R$ 3 bilhões. Integrantes do governo dão como certa a inclusão desse recurso no Orçamento, sem os pagamentos paralelos. Para isso, o Executivo deve pedir o ajuste diretamente ao Congresso.
A inclusão do dinheiro no Orçamento ocupa o espaço de outros gastos, pois há um limite de verbas imposto pelo arcabouço fiscal. O governo Lula espera contar com a economia do pacote de corte de gastos, aprovado no fim do ano passado, para complementar os recursos necessários e não parar o benefício.
O Ministério do Desenvolvimento Social, responsável pelo programa, havia prometido manter o Auxílio Gás e garantir os recursos para o programa no Orçamento. A pasta foi procurada novamente nesta quinta-feira, 13, para se manifestar, mas ainda não comentou.
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‘Gás de graça’
Nesta quinta-feira, o presidente Lula prometeu entregar “gás de graça” para 22 milhões de famílias, em um discurso durante evento no Amapá. “Para nós, o gás faz parte da cesta básica. O gás sai da Petrobras por R$ 36. Ele chega aqui a quanto?”, afirmou o petista, citando que um botijão pode chegar até a R$ 150.
No ano passado, ao mandar o projeto que muda o Auxílio Gás, o governo prometeu aumentar o número de beneficiários de 5,6 milhões para mais de 20 milhões de pessoas. Com a proposta, a verba deixaria de ser ser custeada diretamente com o Orçamento da União e passaria a ser operada pela Caixa com o dinheiro que empresas de petróleo depositam no Fundo Social. O projeto, criticado por especialistas pela possibilidade de drible às regras fiscais, ainda não foi votado.