BRASÍLIA - O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que ainda é cedo para tirar conclusões sobre os próximos passos do vaivém das medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Apesar disso, a gestão brasileira aposta que os novos anúncios devem ter impacto limitado e não devem afetar, no momento, outros produtos do Brasil, além de etanol, aço e alumínio já citados.
Na quinta-feira, 13, Trump assinou um memorando ordenando que seus assessores calculem novos níveis de tarifas para outros países em todo o mundo, uma tarefa ambiciosa que abalará as regras do sistema de comércio global e provavelmente dará início a negociações intensas nos próximos meses. O etanol brasileiro, exportado para os Estados Unidos, foi citado como exemplos de disparidade entre tarifas a ser ajustada.
Mesmo que o País tenha sido citado no anúncio, o governo brasileiro diz que é muito cedo para tirar conclusões. Desde quinta-feira, o Itamaraty estuda a declaração do americano, não só a referência ao Brasil, mas toda a determinação de Trump. Uma pessoa a par das discussões disse que o governo está avaliando o comunicado, as referências a outros países, e destacou que não dá para tirar conclusões definitivas por enquanto.

Integrantes do setor privado que acompanham o comércio exterior, contudo, alertam que o Executivo brasileiro deve estar preparado e começar a fazer tratativas em alto nível com os Estados Unidos. Isso porque o plano assinado por Trump indica que o governo americano fará uma análise ampla e olhará para outros fatores além de tarifas aplicadas, entre eles a tributação interna nos países e outros subsídios considerados injustos pela gestão republicana. Com isso, a possibilidade é alta de os Estados Unidos apresentarem ao Brasil uma lista maior de demandas para negociar, além do etanol, diz um integrante do setor.
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A citação explícita ao etanol brasileiro pela Casa Branca como exemplo de falta de tratamento recíproco aos Estados Unidos mostra o foco do país no biocombustível do Brasil, avaliam integrantes do governo. Interlocutores que acompanham as tratativas relataram que se surpreenderam com a menção direta ao Brasil, mas veem espaço para negociar com o governo americano quanto a barreiras comerciais e tarifárias.
A assinatura veio dias depois de Trump ter assinado um decreto que impõe tarifas de 25% sobre aço e alumínio importados pelos Estados Unidos. O Brasil, segundo maior fornecedor de aço para a nação americana, é um dos atingidos.
Nesta sexta-feira, 14, Lula se pronunciou pela primeira vez sobre as medidas anunciadas por Trump, mas se limitou a falar do aço, sem citar o etanol. Segundo o petista, o Brasil pode “reagir comercialmente”, “denunciar na OMC (Organização Mundial do Comércio)” ou “taxar produtos que a gente importa deles”.
“Enquanto os Estados Unidos tiverem uma relação civilizada e harmônica com o Brasil, está tudo bem. Agora, ouvi dizer que vai taxar o aço brasileiro. Se taxar, vamos reagir comercialmente ou vamos denunciar na OMC ou vamos taxar os produtos que a gente importa deles. A relação do Brasil com os Estados Unidos é muito igualitária. Eles importam US$ 40 bilhões. Nós importamos US$ 45 bilhões”, disse o presidente brasileiro. O petista sugeriu ainda que a nação americana deixou de se preocupar com a democracia e com o livre mercado global e adotou um discurso protecionista.