Qual é o perfil do trabalhador brasileiro ocupado depois da pandemia? Conheça em 5 gráficos

Entre 2019 e 2024, mercado de trabalho mostrou força e população ocupada cresceu 8 milhões, ficou mais educada e aumentou presença no setor de serviços

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Foto do author Luiz Guilherme  Gerbelli

Entre 2019 e 2024, a população ocupada do Brasil ficou mais educada e mais velha, além de ter aumentado a sua presença no setor de serviços, mostra um estudo da consultoria LCA. Nesse período, houve marcos importantes. Ocorreu uma grande transformação nas relações de trabalho provocada pela pandemia de covid e a economia brasileira deu sinais de força na maioria dos anos - o País criou 8 milhões de postos, passando de 94,258 milhões de ocupados para 102,220 milhões.

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Quando se faz o recorte por anos de estudo no período analisado, o número de brasileiros empregados com ensino médio completo aumentou em 5,72 milhões, representando 37,1% da população ocupada (37,96 milhões de pessoas), enquanto aqueles com ensino superior cresceram em 5,2 milhões, alcançando 23,9% do total de trabalhadores (24,396 milhões).

“Houve um avanço da escolaridade ao longo dos anos. Temos cada vez menos pessoas menos qualificadas no Brasil. Nas últimas décadas, elas procuraram terminar seus estudos incompletos”, afirma Bruno Imaizumi, economista da LCA 4intelligence e responsável pelo levantamento.

Em 2024, o mercado de trabalho mostrou mais um ano de força. A taxa de desemprego foi de 6,6%, a mais baixa desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), calculada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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O cenário recente do mercado de trabalho também foi marcado pelo envelhecimento dos trabalhadores no País. O maior avanço ocorreu entre as populações de 40 a 59 anos (4,720 milhões de novos postos) e acima de 60 anos (1,541 milhão). Elas passaram a responder por 39,8% e 8% dos ocupados, respectivamente.

“Esse movimento não é uma característica intrínseca do mercado de trabalho, mas uma consequência das mudanças demográficas da população brasileira”, afirma Imaizumi. “São tendências que estamos acompanhando e que impactam diretamente o mercado de trabalho.”

“Os mais jovens, num momento de mais aperto de renda, procuram novas fontes de renda. Agora, temos uma massa de renda mais elevada, e eles conseguem não trabalhar para, por exemplo, estudar”, acrescenta.

Os números do emprego mostram ainda que o Brasil aumentou sua dependência do setor de serviços. Eram 54,239 milhões de ocupados no ano passado nesse setor - ou 53,1% dos empregados. Em 2019, o contingente somava 48,598 milhões (ou 51,6%).

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Dentro do setor de serviços, uma análise detalhada dos números mostra que o ramo de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas foi um dos que mais ganharam trabalhadores entre 2019 e 2024. Foram 2,225 milhões de postos abertos a mais, de 10,705 milhões para 12,930 milhões.

“São vagas relacionadas ao fato de que não exigem a presença do trabalhador, mais voltadas para o setor de tecnologia”, afirma Imaizumi. “A economia brasileira está cada vez mais voltada para o setor de serviços, e esse peso está maior.”

As contratações na administração pública e em atividades de educação, saúde humana e serviços sociais também cresceram de 2019 a 2024 no setor de serviços, subindo de 16,147 milhões para 18,440 milhões. “O setor de educação voltou a crescer depois dos anos de pandemia”, diz o economista.

Força do setor privado

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A evolução do mercado de trabalho nesse período revela que a maioria da população está no setor privado. Em 2024, o total era de 52,573 milhões (51,4% dos ocupados), mais do que os 46,419 milhões de 2019. Desse total, no ano passado, 38,641 milhões tinham carteira de trabalho assinada e o restante (13,933 milhões) não.

“No caso do empregado do setor privado sem carteira de trabalho, muita gente migra para muita vagas de PJs (pessoas jurídicas) no setor privado”, afirma o economista da LCA 4intelligence. “É um perfil que cresceu bastante, assim como os trabalhadores de carteira de trabalho no setor privado.”

O levantamento também apurou que a proporção de trabalhadores por conta própria recuou entre 2019 e 2024, mas o número absoluto de ocupados aumentou. Eles passaram de 23,969 milhões para 25,592 milhões, o que correspondeu a 25,4% e 25%, respectivamente, do total de empregados no País.

“Eles (trabalhadores por conta própria) continuam crescendo em termos absolutos”, afirma o economista. “Mas é que temos gerado vagas de todos os tipos em termos absolutos. Há uma contribuição disseminada entre posições e em quase todos os setores.”

Em 2024, 38,641 milhões de brasileiros tinham carteira de trabalho assinada  Foto: Gabriel Ramos

Por fim, a resiliência do mercado de trabalho tem levado mais brasileiros a trocarem de emprego. A fatia dos ocupados que ficam mais de dois anos no mesmo trabalho caiu de 67,2% para 66,5%. O maior crescimento foi apurado entre aqueles que estão de 1 mês a menos de 1 ano na mesma ocupação.

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“Num mercado de trabalho aquecido, as pessoas continuam a se movimentar para encontrar melhores ocupações”, afirma Imaizumi.

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