RIO - O setor de serviços encerrou o ano de 2024 com perda de fôlego. O volume de serviços prestados caiu 0,5% em dezembro ante novembro, após já ter diminuído 1,4% no mês anterior. Os dados são da Pesquisa Mensal de Serviços divulgados nesta quarta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Os dados de hoje apoiam nossa visão de que a atividade econômica desacelerou no quarto trimestre”, avaliou Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, em relatório.
Após o dado negativo, o C6 Bank manteve sua projeção de um crescimento de 0,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no quarto trimestre de 2024, mas aberta a revisões, a depender do desempenho das vendas no varejo no período, que será divulgado pelo IBGE nesta quinta-feira, 13.
“Os dados negativos de dezembro da indústria e de serviços reforçam nossa visão de que a atividade econômica perdeu fôlego na reta final de 2024. Essa desaceleração, no entanto, tem se mostrado menos intensa do que prevíamos”, ponderou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank, em comentário.

A retração dos serviços em novembro e dezembro de 2024 sucedeu um pico histórico alcançado no mês imediatamente anterior, em outubro, sinalizando, portanto, mais uma devolução após a base de comparação elevada do que uma perda de força, opinou Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE.
“Essa queda de 1,9% (acumulada em novembro e dezembro) vem depois de o setor de serviços atingir o ponto mais alto da série em outubro, então a gente está falando de uma base muito elevada”, disse Lobo, acrescentando que tanto os serviços prestados às famílias quanto os serviços às empresas permanecem com crescimento. “Vejo ainda mais uma perda em função da base de comparação do que em função de perda de ritmo”, completou.
O resultado de dezembro mostra o nível de atividade ainda alto, apenas perdendo tração, corroborou Daniel Xavier, economista-chefe do Banco ABC Brasil.
“Movimento este que deve perdurar ao longo de 2025, como reflexo defasado de condições financeiras mais apertadas por aqui”, resumiu Xavier, em relatório em que prevê uma desaceleração no setor de serviços neste ano, encerrando 2025 com expansão ao redor de 2,0%.
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Três das cinco atividades de serviços registraram perdas na passagem de novembro para dezembro: serviços profissionais, administrativos e complementares (-0,7%), informação e comunicação (-0,7%) e outros serviços (-4,2%). Na direção oposta, houve avanços em transportes (0,1%) e serviços prestados às famílias (0,8%).
No ano de 2024, a prestação de serviços no País cresceu 3,1%, quarto ano seguido de altas, sequência positiva inédita na série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. A atividade de transportes registrou a única perda, queda de 0,7%. Os demais segmentos cresceram: outros serviços (1,1%), serviços profissionais, administrativos e complementares (6,2%), informação e comunicação (6,2%) e serviços prestados às famílias (4,4%).
“De maneira geral, o setor de serviços se mostrou bastante resiliente ao longo de 2024, colaborando para a expansão do PIB — que deve fechar o ano em 3,5%, segundo nossa projeção”, acrescentou Claudia Moreno. “Projetamos um crescimento do PIB de 2% em 2025 e de 1% em 2026.”
Após uma retração de 7,8% em 2020, devido ao choque provocado pela pandemia de covid-19, o setor de serviços registrou avanços em 2021 (10,9%), 2022 (8,3%), 2023 (2,9%) e agora em 2024 (3,1%).
Nos últimos quatro anos, entre 2021 e 2024, os serviços têm um crescimento acumulado de 27,4%. No mesmo período, informação e comunicação acumularam ganho de 24,5%; serviços profissionais e administrativos, de 30,1%; transportes, de 31,6%; outros serviços, de 2,1%; e serviços às famílias, de 60,7%.
Segundo Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, os serviços às famílias mostram fôlego “muito atrelado ao ganho de renda” e à alta no emprego tanto formal quanto informal.
“Serviços de hotel, restaurantes, academias de ginástica, são serviços consumidos por famílias de maior renda. Mas o ganho de renda ao longo de 2024 pode ter propiciado um ganho de pessoas, um maior número de pessoas consumindo esses serviços”, concluiu Lobo.