Nossa Mulher Positiva é a Giovana Baggio, gerente de agricultura sustentável na The Nature Conservancy (TNC) Brasil, maior organização de conservação ambiental do mundo, presente em mais de 70 países. Há mais de dez anos na TNC, a engenheira florestal trabalha com a conservação e restauração florestal, luta para reduzir o desmatamento de novas áreas e busca parcerias em projetos que cuidem da fauna e flora no Brasil - tudo isso em consonância com o crescimento das demandas por alimentos, água e infraestrutura da população. Giovana ainda encontra tempo para meditação, yoga, arquearia montada, bodyboarding.

- Como começou a sua carreira?
Há mais de 20 anos, após finalizar o curso de engenharia florestal na UFPR, resolvi fazer pós-graduação na Europa em Gestão Ambiental para ter uma visão mais abrangente da atuação na conservação da natureza em termos práticos, tanto do ponto de vista de sustentabilidade de recursos naturais quanto das necessidades humanas.
Depois disso entrei no mercado de trabalho florestal, atuando em consultoria por muitos anos, depois como coordenadora da área ambiental do setor florestal da Suzano Papel e Celulose (como primeira mulher a ocupar o cargo) e depois na ONG internacional The Nature Conservancy onde atuo nesse momento, como gerente de agricultura sustentável para o Brasil.

Como é formatado o modelo de negócios da Nature Conservancy?
A entidade que trabalho é uma ONG (The Nature Conservancy), portanto não possui fins lucrativos, é embasada na missão de conservar o que restou dos biomas mundiais em consonância com o crescimento das demandas por alimentos, água e infraestrutura da humanidade.
Mesmo não tendo fins lucrativos, a entidade precisa de recursos financeiros para poder estabelecer seus projetos de sustentabilidade no longo prazo. Para isso existe uma rede de doadores e parceiros que colaboram mundialmente para a causa da TNC.
É necessário gerenciar os projetos com muita responsabilidade e clareza, pois os doadores merecem ter clareza sobre o impacto positivo que os recursos doados ou investidos tiveram para o meio ambiente.
Trabalho em parceria com empresas e entidades do dos setores agrícola e pecuário, e aí fica ainda mais importante mostrar que o investimento em ações ambientais traz não só redução de riscos socioambientais mas benefícios econômicos para produtores, comunidades rurais e para a própria empresa apoiadora, que atua de maneira mais responsável e sustentável.

Qual foi o momento mais difícil da sua carreira?
Ser mulher no meio florestal e/ou agrícola já é por si só complexo, visto que ainda é um setor onde os tomadores de decisão são em sua maioria homens, e ainda perdura uma visão machista antiquada em certas áreas. Mas a cada ano crescem as mulheres líderes nessas áreas e o respeito pelos bons resultados da atuação feminina vem abrindo mais o campo de trabalho.

Como você consegue equilibrar sua vida pessoal x vida corporativa/empreendedora.
Os momentos que tive que viajar muito quando meu filho era apenas um bebê foram os mais complexos, a culpa de investir na carreira ao mesmo tempo ser uma mãe presente foi e é desafiadora. Tive que superar vários dilemas interiores para poder entender que minha realização pessoal e profissional também fazia parte da construção do futuro de meu filho. Mesmo com ele agora já quase adulto, ainda existe o desafio de conciliar tudo. É necessário pensar tudo antecipadamente, pois você poderá não estar em casa se faltar ou acontecer algo, então é um exercício árduo e contínuo de organização.
Creio que o que me mantém mais equilibrada é não deixar de fazer atividades que gosto como meditação, yoga, arquearia montada, bodyboarding, enfim estar ao ar livre nas horas de lazer, para que o stress seja dissipado e não atinja a família... o que é uma "arte" e ainda estou longe de dizer que consigo ser totalmente equilibrada nisso. Acho que esse equilíbrio é o maior desafio da mulher moderna!

Qual o seu maior sonho?
Que o Brasil atinja tal ponto de desenvolvimento consciente que não precise mais impactar suas florestas e recursos naturais de maneira destrutiva. Infelizmente ainda existe uma ideia que para crescer é necessário destruir. Depois de tantos anos de trabalho na área de conservação da natureza, tenho certeza que podemos equilibrar nossas demandas com o respeito ao planeta. Mas precisamos agir agora, e nossos líderes tem que ir além do imediatismo e enxergar o país que querem para as futuras gerações, pois sem água, biodiversidade, solo conservado e ar limpo, não tem como sobreviver e nem como crescer adequadamente.
Qual a sua maior conquista?
Poder exercer a profissão que escolhi de maneira plena, mesmo com inúmeros desafios, não tem prazer maior do que estar alinhada com minha missão de vida que é trabalhar pela conservação da natureza.
Livro, filme e mulher que admira
Livro: são tantos, adoro ler! Mas Autobiografia de um Yogue de Paramahansa Yogananda é meu livro de cabeceira, entender o poder da auto-realização, o porque estamos aqui, o que há por traz de nossa pequena existência na Terra, mudou minha maneira de ver a vida.
Filme: o filme francês Intocáveis, a dupla François Cluzet e Omar Sy arrasaram na lição de que não importa a condição, a vontade de viver com alegria deve superar tudo!
Mulher: temos inúmeros exemplos de mulheres que revolucionaram o mundo das artes, da ciência, da literatura e tiveram que abrir caminho em meio a um mundo ainda mais hostil às mulheres. Mas para citar uma que admiro muito, fico com é Jane Goodall, um exemplo de ambientalista obstinada, como primatóloga estudou a vida familiar dos chimpanzés em Gombe, Tanzânia, ao longo de 40 anos. E lutou inúmeras vezes para proteger a espécie e seu habitat, e convencer a comunidade local de fazer parte dessa iniciativa. Acho o trabalho e a vida dela, inspiradores!