Infográficos

Mapa mostra como sua vizinhança votou no 2º turno e para o Congresso

Texto: Rodrigo Menegat / Dados: Rodrigo Menegat / Design: Ariel Tonglet e Bruno Ponceano / Desenvolvimento: Ariel Tonglet / Concepção: Daniel Bramatti

20 de novembro de 2018 | 19h30

Este mapa explorável permite que o leitor veja o desempenho dos principais candidatos aos cargos de presidente, governador, senador e deputado federal nas eleições de 2018. Ao selecionar um município, o mapa será subdividido para mostrar a preferência eleitoral de cada vizinhança – o entorno do local de votação. Ao todo, o ‘Estado’ localizou automaticamente mais de 52 mil endereços. Caso você encontre um erro, acesse este formulário para nos informar.


O Estadão atualizou o mapa eleitoral super-detalhado que havia publicado no 1º turno das eleições 2018. Agora, o aplicativo permite que o leitor descubra como sua vizinhança votou no 2º turno da corrida presidencial, além de mostrar os resultados da disputa pelos governos estaduais, Câmara Federal e Senado.

Ao contrário da maioria dos mapas de resultados, que mostram quem venceu em cada cidade ou, no máximo, zona eleitoral, o aplicativo mostra os números de cada local de votação.

Esse é o recorte geográfico mais detalhado possível. Ao fazer uma análise nesse nível de profundidade, é possível notar uma realidade local que acaba escondida em mapas que mostram apenas o resultado agregado em regiões maiores.

Com isso, é possível descobrir como o entorno de cada colégio eleitoral se comportou nesse pleito. Além disso, o material revela quais são as características demográficas dessas vizinhanças e como elas se relacionam com a preferência por determinado candidato.

Compare, por exemplo, os dois mapas de São Paulo abaixo. Quando mostramos apenas as zonas eleitorais, todo o centro expandido aparece pintado de verde, cor que representa uma vitória de Jair Bolsonaro.

Na realidade, porém, há diversos redutos petistas na região. Eles ficam evidentes no segundo mapa, onde aparecem ilhas vermelhas em bairros como República, Pinheiros e Santa Ifigênia.

Levantamento

O projeto usa coordenadas fornecidas pelo TSE e pelo sistema de localização do Google Maps. Cada ponto foi transformado em polígono usando um algoritmo matemático que calcula qual é sua “área de influência” – ou seja, qual é a área que fica mais perto dele do que de qualquer outro local.

Como, na maioria dos casos, os eleitores votam no local de votação mais perto de suas casas, o mapa mostra, de forma aproximada, onde moram os eleitores de cada colégio.

Posteriormente, as áreas foram cruzadas com os setores censitários do IBGE. Estes dados mostram, por exemplo, quantas pessoas negras, brancas ou pardas moram em uma quadra. Usando essas informações, o aplicativo também revela quais as características da população que mora nos arredores de cada local de votação.

Com isso, conseguimos saber, por exemplo, que Haddad teve 58% dos votos válidos no campus da PUC que fica na Rua da Consolação, em São Paulo, contra 42% de Bolsonaro. Lá, 76% do eleitorado é branco, 53% é mulher e a renda média dos moradores dos entornos é de cerca de R$ 2 mil.

Esses valores foram calculados em mais 52 mil locais de todo o Brasil. Nem todos os colégios foram encontrados, já que a base de dados fornecida pelo TSE era incompleta e não foi possível encontrar coordenadas precisas para todos os locais, especialmente os que ficam em regiões mais remotas do país. Ainda assim, 86% do eleitorado nacional está representado na análise.

Mais detalhes sobre a metodologia estão disponíveis abaixo. ↓


Em detalhes

Como foi feito?

Esse projeto mostra o resultado das eleições do Brasil em um nível de detalhe inédito: em vez de consultar a votação por cidade ou zona eleitoral, o leitor pode descobrir como foi o pleito em seu local de votação – ou seja, no prédio onde esteve no dia 7 de outubro. Na prática, como a maioria das pessoas vota perto de onde mora, os mapas mostram, de modo aproximado, como cada vizinhança votou.

Além disso, a partir de um cruzamento com dados do Censo de 2010, é possível descobrir, de maneira aproximada, qual é o perfil demográfico (raça, gênero, idade, renda) de cada colégio eleitoral.

Uma iniciativa desse escopo possui diversas limitações técnicas e questões metodológicas que precisam ser esclarecidas. Aqui, tentamos responder a perguntas frequentes sobre a iniciativa, mostrando como definimos a abrangência da vizinhança que vota em cada local e seu perfil socioeconômico, entre outras questões.

Geolocalização

Como encontramos os locais de votação?

Para colocar os colégios eleitorais no mapa, foi necessário obter a latitude e longitude de cada um deles. Parte dessas coordenadas foi divulgada pelo próprio TSE. O restante foi obtido através de consultas automatizadas ao sistema do Google Maps.

Qual é a precisão dos resultados desse levantamento?

Como a busca pelas coordenadas geográficas foi feita de modo automático e o País tem dezenas de milhares de locais de votação, não conseguimos conferir manualmente se todas as consultas retornam a latitude e longitude certas. Entretanto, criamos mecanismos para nos certificarmos de que a maioria dos locais de votação esteja posicionada corretamente.

O primeiro teste foi feito com um índice de precisão do próprio Google Maps: escolhemos manter apenas os locais de votação cuja consulta, de acordo com o sistema da empresa, tem um resultado da maior confiabilidade possível.

Com os dados de baixa confiabilidade removidos, foram selecionados de forma aleatória 10% das coordenadas, referentes a locais de votação de grandes cidades brasileiras. A latitude e a longitude destes foi checada manualmente: menos de 5% apresentaram algum erro.

Assim, é possível afirmar que, embora nem todos os locais de votação estejam representados exatamente onde ficam, a maior parte deles está. A precisão tende a ser maior em grandes centros urbanos e menor em áreas afastadas. Além disso, a precisão varia de Estado para Estado, conforme o detalhamento da base de endereços fornecida ao TSE pelos tribunais regionais eleitorais.

Estamos, também, recebendo contribuições e correções: caso você encontre uma imprecisão, acesse esse formulário para nos informar do que deve ser alterado.

Então nem todos os locais de votação do Brasil foram contemplados?

Não. Cerca de 50% dos locais estão representados no mapa. Ainda assim, mais de 86% do eleitorado está contemplado no levantamento, já que há maior precisão de localização em grandes centros urbanos, onde os locais de votação são maiores, possuem mais urnas, e, consequentemente, mais eleitores.

O projeto não tem como objetivo mostrar quem ganhou a eleição em todo o País, mas sim mostrar, com detalhamento inédito, o desempenho de cada candidato em diversos pontos do Brasil. Desta forma, consideramos melhor “perder” votos do que colocá-los em um local com grande probabilidade de estar errado.

Para ver um mapa com os resultados eleitorais detalhados por município, acesse este material.

Como assim, vocês não têm todos os votos do País contabilizados?

Há locais de votação ausentes e, portanto, votos que não foram contabilizados. Entretanto, cada colégio eleitoral presente teve todos os seus eleitores e votos considerados.

Vizinhança

Se o local de votação é um prédio, porque cada um deles abrange um pedaço do mapa?

De posse das coordenadas de cada local de votação, estimamos sua “zona de influência”. Cada polígono no mapa contempla a área que está mais próxima daquele local de votação do que de qualquer outro. Para fazer esse cálculo, utilizamos um algoritmo matemático que cria um diagrama de Voronoi.

De acordo com o pressuposto de que a maioria dos eleitores vota no colégio eleitoral mais próximo de onde mora, podemos afirmar que, de modo aproximado, as pessoas que moram dentro do polígono votam no colégio eleitoral daquele território.

Ele de fato representa os eleitores que votam lá?

Os mapas eleitorais publicados pelo jornal mostram que as eleições no Brasil têm característica geográfica forte. A maioria dos eleitores é registrada para votar em locais próximos a sua residência, pois é estimulada a tal pelos cartórios eleitorais.

Entretanto, o levantamento considera que todos os eleitores votaram perto de suas residências, o que não é verdade para todos os casos. Assim, o polígono representa apenas uma aproximação da vizinhança que vota naquele local.

Por que algumas cidades não têm nenhum polígono?

Para computar as zonas de influência de cada local de votação, o algoritmo matemático que utilizamos requer que pelo menos quatro locais de votação tenham as coordenadas geográficas encontradas.

Nas cidades menores, onde o serviço de georreferenciamento do Google não funciona tão bem, essa quantidade mínima muitas vezes não é encontrada, impossibilitando o cálculo. Nesses casos, o município torna-se um único polígono, que contém todos os votos registrados na cidade.

Demografia

Como vocês descobriram o perfil demográfico de cada vizinhança?

Os setores censitários do Censo 2010 foram usados para calcular, sempre de forma aproximada, as características sociais e econômicas de cada vizinhança.

Estes setores são uma unidade de análise territorial do IBGE que reúne informações detalhadas sobre a população que mora em determinado espaço. Por exemplo, sabemos exatamente quantas pessoas negras, brancas ou pardas moravam em cada um deles em 2010, data do último Censo.

Com a zona de influência já desenhada, selecionamos os setores censitários que cruzam a região. Se um deles estiver completamente no interior do polígono do local de votação, consideramos que toda a população do setor censitário reside naquela vizinhança. Caso um deles esteja apenas 50% dentro, consideramos que apenas metade das pessoas mora lá.

Assim, ao adicionar a população dos setores censitários à vizinhança de acordo com o porcentual de intersecção de cada setor censitário com ela, conseguimos estimar quantas pessoas de cada raça, gênero e idade moram lá. A partir desses totais, calculamos o porcentual.

Novamente: vocês têm certeza de que isso representa a população que vota lá?

Trata-se, como antes, de uma aproximação. Para possibilitar a análise, o método pressupõe que as pessoas que residem em cada setor estão distribuídas de forma homogênea naquele espaço.

Além disso, é importante lembrar que os dados são do recenseamento de 2010, os mais recentes disponibilizados pelo IBGE com esse nível de detalhamento. Assim, as mudanças demográficas que podem ter acontecido no intervalo entre a divulgação do Censo e a publicação desta reportagem não estão refletidas nos dados.

Contudo, eventuais mudanças são atenuadas quanto mais setores censitários estiverem dentro do polígono de um local de votação. Em outras palavras, a construção de um único prédio pode mudar o perfil socioeconômico de um pequeno setor censitário, entretanto, essa mudança pouco afeta o bairro como um todo.

Como posso confiar que vocês fizeram todos esses cálculos do jeito certo?

Todo o código-fonte por trás dos dados da matéria está disponível na página do Estadão no GitHub. Assim, é possível reproduzir a análise.


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