WASHINGTON - O governo da Colômbia concordou em aceitar seus cidadãos deportados dos Estados Unidos em voos militares, informou a Casa Branca na noite de domingo, 26. O recuo vem após o presidente Donald Trump anunciar tarifas ao país e também a suspensão de vistos de membros do governo colombiano. A Colômbia, parceira comercial de longa data dos EUA, “concordou com todos os termos do presidente Trump”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt.

As ordens tarifárias serão “mantidas em reserva e não assinadas”. Mas, de acordo com a secretária, Trump deve manter as restrições de visto para autoridades colombianas e aumentar as inspeções alfandegárias de produtos do país, “até que o primeiro avião com os deportados colombianos retorne”.
Mais cedo no domingo, o presidente colombiano, Gustavo Petro, recusou a entrada de dois aviões que levavam imigrantes ilegais de volta ao país e deu ordem para que o avião presidencial fosse buscar os deportados nos EUA.
No começo da madrugada, no entanto, o ministro das Relações Exteriores da Colômbia, Luis Gilberto Murillo, disse que seu país “superou o impasse” com os Estados Unidos sobre sua recusa em receber migrantes deportados e aceita os termos da política do presidente Donald Trump.

“Continuaremos a receber os colombianos que retornam como deportados”, disse o diplomata em uma coletiva de imprensa, momentos depois que a Casa Branca informou que Trump havia revertido as sanções que havia anunciado contra a Colômbia diante do bloqueio da Petro à entrada de aviões militares dos EUA que transportavam colombianos expulsos.
Recusa colombiana
No domingo, 26, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recusou receber dois aviões que saíram dos Estados Unidos com imigrantes colombianos deportados. Petro citou os relatos de maus-tratos no avião que chegou ao Brasil no final de semana para afirmar que os colombianos precisam ser tratados com “dignidade”.
“Um imigrante não é um criminoso e deve ser tratado com a dignidade que um ser humano merece”, afirmou Petro. “Não posso obrigar os imigrantes a permanecer num país que não os quer; mas se esse país os devolver, deve ser com dignidade e respeito por eles e pelo nosso país”.
O caso citado por Petro ocorreu no sábado, 25. Um voo de brasileiros deportados cujo destino final seria Belo Horizonte realizou um pouso de emergência em Manaus. Na capital amazonense, autoridades descobriram que as pessoas estavam algemadas e acorrentadas por determinação dos americanos. Depois que chegaram em Belo Horizonte, os brasileiros relataram aos jornalistas maus-tratos de agentes americanos durante o voo, incluindo agressão física, calor e más condições do avião.

“Eles maltrataram a gente. Eles bateram na gente algemado e não tínhamos cometido crime. Deixaram a gente algemado a viagem inteira. Tinha mulher e crianças. Estava muito calor”, disse ao Estadão Vitor Gustavo da Silva, 21, ex-morador de Atlanta, no Estado da Geórgia. Ele afirmou que morou por 20 anos nos EUA.
Ao detectar o problema, o governo brasileiro determinou a remoção das algemas e decidiu enviar uma aeronave da FAB, um KC-30 do Segundo Esquadrão do Segundo Grupo de Transporte, para transportar as pessoas deportadas dos Estados Unidos no trajeto entre Manaus e Belo Horizonte.
Após o ocorrido, o Itamaraty publicou no domingo, 26, uma nota sobre a situação dos brasileiros deportados vindos dos Estados Unidos. No documento, a pasta afirma que o uso indiscriminado de algemas e correntes viola os termos do acordo com os EUA, “que prevê o tratamento digno, respeitoso e humano dos repatriados”.
Tarifas de Trump
Depois da recusa colombiana, Trump anunciou retaliações comerciais e econômicas contra Bogotá.
O republicano apontou de imediato a fixação de tarifas de importação de 25% sobre os produtos colombianos, além da suspensão de vistos para Petro, aliados políticos e familiares e sanções bancárias e financeiras contra o país. As tarifas subiriam para 50% na semana que vem.
“Estas medidas são apenas o começo. Não permitiremos que o governo colombiano viole suas obrigações legais no que diz respeito à aceitação e ao retorno dos criminosos que forçaram a entrada nos Estados Unidos”, afirmou Trump.
Saiba mais
Já Petro adotou uma postura mais defensiva contra Trump e suas deportações. No X, ele observou que mais de 15,6 mil cidadãos americanos estão vivendo na Colômbia sem os documentos adequados. Petro disse que, embora esteja ciente de que alguns americanos estão vivendo ilegalmente na Colômbia, ele não vai prendê-los e devolvê-los aos EUA acorrentados, dizendo que seu governo é “o oposto dos nazistas”.
Posteriormente, pelas redes sociais, o presidente colombiano apontou que os produtos fabricados nos EUA também seriam taxados em 25% e substituídos por produtos locais.
Os Estados Unidos são o parceiro comercial e aliado de segurança mais importante da Colômbia. O comércio dos dois países gira em torno de US$15,6 bilhões e Bogotá exporta principalmente petróleo bruto (38,8%), café (11,5%) e flores (10,5%) para os Estados Unidos, segundo o Observatório da Complexidade Econômica (OEC), especializado em relações comerciais.