Entenda o escândalo com criptomoeda que coloca pressão sobre Javier Milei na Argentina

Oposição passou a defender o impeachment do presidente, enquanto o governo anunciou uma investigação própria sobre o episódio

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Por Redação
Atualização:

Desde que publicou, na sexta-feira, 14, uma mensagem em que faz referência a uma criptomoeda, o presidente argentino Javier Milei está envolto em uma polêmica que faz com que a oposição passe a falar de impeachment, que aliados façam críticas e que motivou uma investigação anunciada pelo próprio governo para esclarecer o caso.

Javier Milei, presidente da Argentina, é alvo de pressão de opositores e até aliados Foto: Markus Schreiber/AP

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A crise foi desencadeada por uma mensagem na qual Milei apontou que a criptomoeda $LIBRA incentivaria o crescimento da Argentina e deixou um link para o investimento. Após a mensagem, o ativo teve um aumento de 10 vezes em seu preço, mas despencou nas horas seguintes, fazendo com que milhares de investidores perdessem dinheiro investido. Milei então apagou a mensagem e disse que não estava ciente de detalhes do projeto.

Entenda o que já se sabe sobre o episódio:

A postagem de Milei

Na sexta-feira, por meio da rede social X, Milei divulgou a memecoin $LIBRA, o que levou a uma valorização relâmpago do ativo virtual. Na mensagem ele diz: “A Argentina Liberal cresce. Este projeto privado se dedicará a incentivar o crescimento da economia argentina, financiando pequenas empresas e empreendimentos argentinos. O mundo quer investir na Argentina”. A mensagem vinha acompanhada do link para que os interessados pudessem fazer o investimento, além do nome da criptomoeda: $LIBRA.

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Postagem de Javier Milei que deflagrou crise na Argentina Foto: Reprodução/perfil @Milei no X

Valorização recorde

Após a postagem de Milei, a criptomoeda começou a se valorizar de forma muito rápida, atingindo valor próximo a US$ 5 em poucas horas.

Queda forte do ativo virtual

Após a disparada por conta do alto volume de investimento, os desenvolvedores da moeda passaram então a vender seus ativos, o que fez com que a moeda perdesse praticamente todo seu valor. De acordo com o jornal argentino “La Nacion”, cerca de 80% dos ativos de $LIBRA estavam nas mãos de um pequeno grupo de pessoas, que criou o site para divulgar a moeda instantes antes de Milei fazer sua divulgação. Com isso, a venda em massa após a valorização fez com que a moeda entrasse em colapso. De acordo com o ‘La Nacion’, o volume de recursos movimentados pelas compras e vendas chegou a US$ 4,5 bilhões no intervalo de duas horas.

Milei apagou a mensagem

Em meio ao colapso da criptomoeda, Milei apagou a mensagem e publicou uma nova em suas redes sociais na madrugada de sábado. Nela, argumenta que não tinha detalhes sobre a criptomoeda que acabara de divulgar.

“Há algumas horas publiquei um tuíte, como tantas outras infinitas vezes, apoiando um suposto empreendimento privado com o qual obviamente não tenho vinculação alguma. Não estava informado dos detalhes do projeto e logo que fui informado decidi não seguir divulgando (por isso apaguei o tuíte). Às ratas imundas da casta política que querem aproveitar esta situação para provocar dano, quero dizer que todos os dias confirmam quão rasteiros são os políticos e aumentam nossa convicção de tirarmos (do poder) com chutes no c...”

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A pressão imediata da oposição e até de aliados

O episódio fez com que a oposição iniciasse uma pressão por investigação e até mesmo um impeachment do presidente argentino. Deputados do bloco União pela Pátria, liderado pelo peronismo, começaram a preparar o pedido para derrubar o presidente, chamando o caso de “escândalo sem precedentes” e “fraude em criptomoedas”.

Mesmo o ex-presidente Mauricio Macri, aliado ao governo, compartilhou nas redes um documento do partido que fundou, o PRO, que expressa preocupação com o escândalo, enfatizando que o caso “afeta a credibilidade do País” e deve ser investigado minuciosamente. Contudo, o comunicado ressalta que o movimento não é favorável a um julgamento político no caso.

Neste domingo, advogados argentinos apresentaram acusações de fraude contra o presidente em um tribunal criminal. Jonatan Baldiviezo, advogado e um dos autores da ação, disse à AP que eles viram uma associação ilícita para cometer “um número indeterminado de fraudes” no episódio. “Dentro dessa associação ilícita, foi cometido o crime de fraude, no qual as ações do presidente foram essenciais”, disse.

A reação do governo Milei

Em meio às pressões da oposição e à repercussão do caso na imprensa argentina, o governo argentino anunciou, na noite do sábado, que instalaria uma “investigação urgente” sobre o caso. A presidência argentina anunciou que, “à luz dos acontecimentos, Milei decidiu encaminhar imediatamente o assunto ao Escritório Anticorrupção (OA) para determinar se houve conduta imprópria por parte de qualquer membro do governo nacional, incluindo o próprio presidente”.

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O comunicado divulgado pelo governo também anunciou a criação de uma “Força-Tarefa Investigativa” na órbita do presidente, encarregada de “iniciar uma investigação urgente sobre o lançamento da criptomoeda $LIBRA e todas as empresas ou pessoas envolvidas nesta operação”.

Empresário cita cobrança de dinheiro para reunião com Milei

O bilionário norte-americano Charles Hoskinson, cofundador das criptomoedas Ethereum e Cardano, afirmou que pessoas em um evento em Buenos Aires pediram dinheiro para facilitar um encontro dele com o presidente da Argentina, Javier Milei, em outubro do ano passado. As declarações foram feita por Hoskinson em uma transmissão ao vivo no seu perfil no X, antigo Twitter, na noite deste sábado, 15. Ele não diz quem fez a cobrança, mas afirma acreditar que Milei seria inocente e estaria sendo usado.

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