O primeiro-ministro interino da Groenlândia, Mute Egede, classificou como “interferência estrangeira” a visita de uma delegação americana prevista para esta semana ao território autônomo dinamarquês, região que despertou o interesse de Donald Trump.
“Nossa integridade e democracia devem ser respeitadas, sem qualquer interferência estrangeira”, afirmou Egede em uma publicação no Facebook nesta segunda-feira, 24.
Ele especificou que “nenhuma reunião” ocorrerá com a delegação, que inclui Mike Waltz, conselheiro de segurança nacional americano, e Usha Vance, esposa do vice-presidente dos Estados Unidos, J. D. Vance.

A Casa Branca havia anunciado que Usha Vance faria uma visita oficial à Groenlândia de quinta a sábado, com atividades que incluem uma corrida de cães de trenó. A Casa Branca afirmou que a visita teria o objetivo de “aprender sobre a herança groenlandesa” e fortalecer as relações entre as nações, além da participação na Avannaata Qimussersu, uma corrida nacional de trenós puxados por cães.
Egede acrescentou que foi “claramente informado aos americanos” que reuniões só poderiam acontecer após a posse do novo governo, seguindo as recentes eleições legislativas.
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Desde a derrota de seu partido de esquerda ecologista, Egede tem liderado a Groenlândia de forma interina, aguardando a formação de um novo governo. Jens-Frederik Nielsen, líder do partido de centro-direita vencedor das eleições e provável sucessor de Egede, classificou recentemente como “inapropriados” os comentários de Trump sobre seu desejo de anexar a Groenlândia.
Trump, sem descartar o uso da força, expressou repetidamente seu interesse em adquirir o território, visto como estratégico para a segurança americana diante da Rússia e da China.
A Groenlândia, uma vasta ilha do Ártico coberta em 80% por gelo e habitada por cerca de 57 mil pessoas, quase 90% delas inuit, é rica em hidrocarbonetos e minerais essenciais para a transição energética. / AFP