Lula liga para líderes de México e Colômbia, cujos cartéis foram rotulados de terroristas por Trump

Petista conversa com Claudia Sheinbaum e Gustavo Petro enquanto tenta convencer EUA a desistirem de classificar PCC e CV como autores de terrorismo

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Atualização:

PCC e Comando Vermelho são ‘ameaças significativas’ à segurança regional, diz governo Trump

Crédito: Felipe Frazão | Captação: Isabella Almada | Edição: João Abel

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BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contatos telefônicos com presidentes de esquerda da América Latina, em meio ao embate com o governo Donald Trump sobre preparativos em Washington para classificar como terroristas facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

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O governo americano disse considerar que o PCC e o CV são ameaças significativas à segurança regional e prometeu agir adequadamente contra envolvidos em atividades terroristas.

Desde a segunda-feira, 9, Lula já conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, e nesta quarta-feira, 11, telefonou ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Os dois países tiveram cartéis de drogas rotulados pelo governo Trump, no ano passado, como grupos terroristas estrangeiros.

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O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e Lula conversaram por telefone em meio a embate com os EUA Foto: Ricardo Stuckert/PR - 01/12/2023

Desde que voltou à Casa Branca, Trump classificou seis cartéis mexicanos e um colombiano como terroristas. Agora, há duas facções brasileiras na mira.

Interlocutores do presidente brasileiro têm reiterado que o caminho para o combate ao crime organizado transnacional é a cooperação policial e que o Brasil não vai ceder e aceitar essa designação. Eles argumentam que ela não encontra respaldo na lei brasileira, que exige enquadramento de atos violentos por razões de xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

Lula poderia articular uma manifestação conjunta com seus aliados, mas ela tende a ser inócua. A decisão de designar um grupo ou indivíduo como terrorista é unilateral do governo americano. O chanceler Mauro Vieira discutiu o tema de segurança pública com o secretário de Estado, Marco Rubio.

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A pauta é mais um atrito nos bastidores da preparação de uma visita de Lula a Trump, em Washington, negociada há meses e ainda sem data para ocorrer. O Palácio do Planalto e o Itamaraty também veem indícios de que o governo americano tenha atendido ao lobby bolsonarista, que apoia a designação do PCC e do CV como terroristas, o que vai trazer desgaste entre os presidentes e prejuízo eleitoral a Lula.

O objetivo da designação é facilitar o congelamento de ativos do narcotráfico, a investigação e o monitoramento de membros das facções, a troca de informações de inteligência, a aplicação de sanções financeiras, o banimento de vistos e a criminalização do apoio material, com armas, dinheiro ou treinamento, entre outros.

Lula conversou com a presidente do México, Claudia Sheinbaum; país teve cartéis de drogas rotulados pelo governo Trump, no ano passado, como grupos terroristas estrangeiros Foto: Ricardo Stuckert/PR - 09/04/2025

Embora a lei americana não autorize ataques militares a partir de tal designação, é comum que organizações tachadas de terroristas sejam alvo militares dos EUA fora de seu território. Trump vem sendo questionado também por não pedir aval do Congresso ou do Conselho de Segurança das Nações Unidas para ataques militares.

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Esse é um temor do governo brasileiro. Antes da operação militar em Caracas para capturar o ditador Nicolás Maduro, os EUA designaram como terroristas as facções venezuelanas Tren de Aragua e Cartel de Los Soles. O Departamento de Justiça dos EUA chegou a acusar formalmente Maduro de liderar Los Soles, mas depois recuou.

O argumento do combate ao narcotráfico foi usado pelo governo Trump para posicionar embarcações e aeronaves no Mar do Caribe. Eles bombardearam barcos de pequeno porte acusados de transportar drogas, sem que tenham demonstrado a atividade, e posteriormente serviram de base para o ataque que derrubou Maduro. Lula, Sheinbaum e Petro condenaram a operação militar avalizada por Trump.

Neste mês, uma operação envolvendo polícias e militares mexicanos, com apoio de informações de agências americanas, levou à morte de El Mencho, principal líder do Cartel Jalisco Nueva Generacíon. Em represália, os traficantes espalharam caos por cidades.

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Lula deve comparecer em breve à reunião de cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos), programada para ocorrer no dia 21, em Bogotá. O assunto deve ser debatido na ocasião, mas o governo brasileiro sabe que qualquer declaração que questione políticas de Trump na organização será barrada por governos alinhados a Washington.

Sobre a conversa com Petro, o governo federal afirmou que Lula recebeu telefonema do presidente da Colômbia, e os dois trataram sobre a integração latino-americana e caribenha, no contexto dos preparativos para a cúpula da Celac. Ainda segundo o texto, os dois confirmaram comparecimento na 4ª edição do evento “Em Defesa da Democracia”, que será organizado pelo governo espanhol, em Barcelona, em 18 de abril.

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Em nota sobre a chamada com a mexicana, o Palácio do Planalto relatou apenas que eles discutiram aspectos da relação econômica e sobre parceria na área de energia. Lula convidou e Sheinbaum deve organizar uma visita ao Brasil, entre junho e julho, acompanhada de empresários. Os relatos oficiais, no entanto, não costumam conter todos os temas sensíveis discutidos entre chefes de Estado.

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