ENVIADO ESPECIAL A HIROSHIMA - Pressionado pela comunidade internacional a apoiar a Ucrânia na guerra iniciada pela Rússia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prefere a neutralidade no conflito, deverá participar de uma “foto de família” com o presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, durante sua passagem pelo G-7.
A programação do G-7, que acontece neste final de semana em Hiroshima, no Japão, prevê uma foto de família - ou seja, com os fotografados lado a lado - dos chefes de governo convidados. A foto está marcada para a manhã de domingo, 21, em frente ao parque Memorial da Paz, que lembra o bombardeio atômico sobre Hiroshima na Segunda Guerra Mundial. Lula e Zelensky, que critica a posição do governo brasileiro sobre o conflito, ficariam frente a frente pela primeira vez.
O secretário do Conselho Nacional de Segurança e Defesa da Ucrânia, Oleksiy Danilov, confirmou em rede nacional que Zelenski aceitou o convite do G-7 e estará na cúpula no domingo, para defender um endurecimento nas críticas à Rússia e mais apoio a seu País. Os países-membros do G-7 - Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália - vão anunciar nova leva de sanções contra Moscou.
O G-7 é altamente coeso no apoio à Ucrânia e a postura do Brasil de neutralidade, apesar do voto pela condenação à Rússia na ONU, incomoda a comunidade ocidental. Na semana passada, o assessor especial de Lula para assuntos internacionais, Celso Amorim, esteve na Ucrânia após o presidente brasileiro receber em Brasília o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov.
Ao sustentar a viagem de Zelenski por fontes, o The New York Times registra a possibilidade de um Lula emparedado na cúpula. “Líderes da Índia, Brasil e outras nações que têm relutado em apoiar a Ucrânia também estão na reunião como observadores, e a presença de Zelenski pode tornar mais difícil para eles continuarem com essa postura, disseram várias autoridades”, escreve o jornal americano.
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