Milei nega ter promovido criptomoeda e compara com cassino: ‘se vai e perde, qual a alegação?’

Presidente da Argentina será investigado por divulgar $LIBRA, moeda virtual que colapsou

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Por Redação
Atualização:

BUENOS AIRES - O presidente argentino Javier Milei tenta se desvencilhar da polêmica envolvendo a divulgação da $LIBRA, criptomoeda que entrou em colapso, e desencadeou uma crise no governo. Em entrevista ao Todo Noticias que foi ao ar na noite desta segunda-feira, 17, ele comparou o investimento com jogos de azar.

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“Se você vai ao cassino e perde dinheiro, qual a alegação?”, questionou o presidente argentino. “É um problema entre privados. O Estado não tem nenhum papel nisso. Eu não promovi, apenas divulguei. Sou um tecno-otimista fanático e quero que a Argentina se torne um hub tecnológico”, disse Javier Milei.

O presidente disse ainda que as pessoas que entraram na operação de compra e venda são traders de alta volatilidade, que sabiam dos riscos. E minimizou os prejuízos para os argentinos. “Os argentinos perderam dinheiro? Tenho sérias dúvidas, acho que não mais do que cinco argentinos. A grande maioria eram americanos e chineses”, disse.

Ao ser questionado sobre a publicação do link para investimentos na criptomoeda que apagou depois, Javier Milei relatou:

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“Eu publiquei o tuíte. Depois que publiquei, começaram a aparecer pessoas dizendo que minha conta tinha sido hackeada. Isso era falso, é mentira. Eu não vou me esconder atrás dessa desculpa. Claro que fui eu quem publicou o tuíte. Por isso, eu fixei a postagem. No meio disso, aconteceram muitas coisas. Começou a surgir uma série de comentários negativos e, na dúvida, decidi apagar o tuíte”.

Antes da entrevista ser veiculada, o entorno de Milei vinha tentando afastar o presidente da crise. Em conversas reservadas, funcionários da Casa Rosada disseram ao Clarín que Milei teria sido “enganado” pelos operadores da moeda virtual.

Oficialmente, o último comunicado da Casa Rosada foi no emitido no sábado, quando o governo anunciou que acionaria o Gabinete Anticorrupção para apurar se houve conduta imprópria e lançaria uma investigação interna sobre o caso.

Internamente, o governo reconhece que ocorreram várias reuniões com os traders por trás da criptomoeda desde o ano passado, mas nega que Javier Milei tenha responsabilidade sobre o prejuízo milionário das pessoas que investiram na $LIBRA, segundo apuração do Clarin.

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Presidente da Argentina, Javier Milei, está pressionado por crise envolvendo criptomoedas.  Foto: Luis Robayo/AFP

O próprio Javier Milei disse que conheceu Hayden Davis, criador da $LIBRA, no ano passado e que ele teria proposto uma estrutura para financiar empreendedores. “O tuíte foi escrito nesse formato. Eu expliquei que isso era para financiar os argentinos que têm projetos, mas não têm acesso a financiamento. E, no meio disso, aconteceram várias coisas”, relatou.

Questionado sobre o impacto político, Milei disse que agiu de boa fé, mas aprendeu uma lição. “Não cometi nenhum erro porque agi de boa fé. Quando vejo a repercussão, posso dizer que tenho algo a aprender. Tenho que aprender que assumir a presidência e continuei sendo o Javier Milei de sempre. Infelizmente, isso me mostra que tenho que levantar barreiras, não pode ser fácil chegar a mim”.

Milei se viu no centro da polêmica após anunciar na sexta-feira,14, no X, um projeto para financiar empresas locais, com link para a criptomoeda criada no mesmo dia. Pouco depois, ele apagou a publicação e a presidência negou que tivesse relação com a iniciativa.

Nesse intervalo, o preço a $LIBRA disparou de centavos para US$ 4.978 dólares (R$ 28,4 mil), antes de desabar e provocar prejuízos bilionários. O caso será investigado pela Justiça da Argentina, que deve apurar se Javier Milei cometeu fraude. Em ação separada, um escritório de advocacia apresentou denúncia ao Departamento de Justiça dos EUA e ao FBI. A oposição peronista, por sua vez, quer votar impeachment do presidente.

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A ideia foi criticada pelo ministro da Economia Luis Caputo, que disse colocar a “mão no fogo” por Javier Milei. “Não há dúvida, ninguém acredita, nem mesmo aqueles que pedem impeachment acreditam que houve fraude, crime ou corrupção”, disse. Em entrevista à emissora A24, Caputo minimizou a crise como um “erro que ele mesmo reconheceu e agiu rapidamente”./COM AFP

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