Vale do Silício sem crise

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No Vale do Silício, as empresas estão animadas com as possibilidades de crescimento. Nem parece que os Estados Unidos estão em crise. Até agora, o setor de tecnologia da região - com exceção de empresas mais maduras, como a HP - pareceu estar imune aos problemas econômicos enfrentados pelo País. Mas alguns sinais já começam a aparecer, como as notícias de adiamento da abertura de capital do Facebook, esperada para abril de 2012, e que deve ficar mais para o fim do próximo ano.

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Um bom termômetro do desempenho do setor de internet é o resultado da Equinix, empresa americana de data centers, que tem operações em 38 cidades em 13 países. No Brasil, a companhia controla a Alog. No segundo trimestre deste ano, o faturamento da Equinix subiu 33%, chegando a US$ 395 milhões. "Tivemos um ótimo segundo trimestre", disse Peter Van Camp (foto), presidente do conselho da Equinix, na sede da empresa, em Redwood City, na Califórnia.

Segundo a empresa, 90% do tráfego mundial da internet passa pela sua infraestrutura. "Nos sentimos muito bem sobre nossos negócios, com o crescimento da internet, da computação em nuvem e da mobilidade", afirmou Van Camp. "Apesar das grandes preocupações econômicas, essas macrotendências são fortes o bastante para nos sentirmos muito bem a respeito das oportunidades."

O executivo cresceu em Boston, na Costa Leste dos Estados Unidos, e vê diferenças em relação a Costa Oeste: "A comunidade de capital de risco lá é mais lenta, mais formal. Não é tão espontânea quanto daqui. As pessoas na Califórnia são mais orientadas ao risco. Quando cheguei aqui, as pessoas vinham trabalhar de jeans. Lá em Boston, o ambiente é mais conservador. Isso não quer dizer que eu não vista mais um terno. Mas, quando eu visto, é que estou de volta a Boston."

Van Camp afirmou ter amigos que estiveram em oito ou dez empresas diferentes. "Alguns tiveram sucesso. Outros ainda procuram esse momento na vida", disse. "Aqui é normal você ter passado por cinco lugares. Em Boston, as pessoas olhariam o currículo e ficariam preocupadas, de que sua performance não é boa, de que seu compromisso não é suficiente. A mentalidade é bem diferente."

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A cultura de buscar o risco faz com que as pessoas se tornem mais tolerantes ao fracasso. "No final de 2000, estivemos bem próximos de um fracasso", lembrou Van Camp. "Tínhamos uma grande dívida, e as pessoas questionavam se iríamos conseguir. Mas conseguimos um novo investimento, que trouxe dinheiro para a empresa e permitiu que renegociássemos as dívidas. Estivemos muito perto de não conseguir. Costumava ter um diretor de tecnologia que me falava para correr na direção do medo, que é o único meio de chegar ao outro lado."

Mais informaçõe no Estado de hoje ("Nem parece haver crise econômica na região", p. B15).

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