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A banda larga pós-pandemia

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Por Mariana Guedes Barreto
Atualização:
Mariana Guedes Barreto. Foto: Divulgação

Vivemos uma época de desgastes de saúde, mental, físico, emocional e financeiro. Estamos lidando com uma crise econômica impactante em toda a sociedade mundial e precisamos nos preparar para o que ainda está por vir e para todas as mudanças pós-pandemia. Essa nova época demandará muitas adaptações em diversos setores. Inclusive, no setor das telecomunicações, que passa por um momento do qual é preciso refletir sobre como será o consumo da banda larga após o término da pandemia.

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Temos lido muito sobre a importância do teletrabalho e da transformação digital, ferramentas disponíveis há anos foram adotadas e vislumbradas pelo consumidor, que descobriu um universo inédito. Contudo, este universo ainda não atinge todas as pessoas que precisam dele. Existe uma complexidade muito maior envolvida. No Brasil, o teletrabalho ou trabalho remoto já constava no artigo 6° da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), Lei 13.467/17, como "prestação de serviços preponderante feita fora das dependências do empregador", e recentemente houve ampliação e flexibilização. Contudo, seu uso efetivo parece ter começado recentemente.

Todas essas grandes mudanças exigem que a sociedade tenha acesso às tecnologias, tanto dos devices, que são os meios para a conexão, quanto da banda larga, comercializadas pelas operadoras de telecomunicações. E precisamos lembrar de que existe todo um ecossistema envolvido para que estes serviços cheguem até os assinantes.

No momento de desenvolvimento de um serviço de banda larga, as operadoras elaboram estratégias que apontam para uma certa qualidade de serviço focada na demanda que estimam áreas residenciais ou comerciais com base em largura de banda requerida, taxas de transmissão de dados e requisitos em velocidade de upload e download. E também em expectativas em relação ao retorno de investimento, e claro, o tipo de tecnologia em uso. Porém, com a pandemia e a larga adoção do teletrabalho, a forma de consumo da banda larga que estamos vivenciando passa a quebrar os padrões identificados na história do consumo das telecomunicações. O que gera uma necessidade de adaptação por parte das operadoras, algo que exige planejamento e compreensão deste novo formato de consumo, um grande desafio.

Também não podemos esquecer das necessidades das pessoas em condições financeiras limitadas e que não podem ter acesso às tecnologias por falta de recursos. Estamos falando de pessoas que já apresentavam dificuldades financeiras para manter a subsistência antes da pandemia, em alguns casos, que nem sequer contam com saneamento básico e agora perceberam que precisam de internet daqui pra frente seja para trabalhar, utilizar serviços remotos ou para educação. Por isso, é mandatório que o governo ajude a sociedade na obtenção de devices e de banda larga para os mais necessitados, diminuindo a exclusão digital e ampliando as possibilidades de atuação e informação para as sociedades carentes. Hoje é fundamental que a população tenha acesso à banda larga, principalmente para o uso no teletrabalho e na teleducação.

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Por fim, é preciso salientar que o governo tem um papel fundamental no mercado das telecomunicações. Exigir que as operadoras disponham de sinal para a sociedade sem cobrar por isso, ou mesmo com políticas de perdão para inadimplência, é algo que a médio prazo, irá impactar seriamente o setor, podendo gerar uma carência de serviço séria ou mesmo diminuição de concorrência e aumento exorbitantemente dos preços para o consumidor final. Essa questão não condiz com uma realidade produtiva que envolve milhares de pessoas e que pode gerar problemas de liquidez.

Conforme anunciado pela Anatel, o leilão de espectro para a tecnologia 5G deve acontecer em 2021. Este leilão irá liberar faixas de espectro para as operadoras disponibilizarem o serviço da banda larga 5G em sua tecnologia pura e não DSS, com isso, inicia-se o processo de acessibilidade ao serviço, com barateamento de preço conforme demanda e tempo. Mas voltando ao leilão, essas faixas para a 5G serão leiloadas pelo governo que pode arrecadar um grande montante com isso. E muitos especialistas do setor têm defendido que o governo abata parte do valor deste leilão para destinar à infraestrutura de regiões carentes. O apoio do governo ao destinar parte da arrecadação do valor do leilão para proporcionar uma injeção de ânimo no setor seria extremamente útil para a construção de infraestrutura em benefício da própria sociedade. Seria uma forma de manter a qualidade ao setor, atrelada ao custo justo com acessibilidade para mais pessoas.

*Mariana Guedes Barreto é relações públicas, fundadora da MGBCOMM, especialista em Comunicação Organizacional

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