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Opinião | ‘Bolsonaro não abrirá mão de capital político e esticará corda até o limite máximo’, diz Andreazza

Colunista do ‘Estadão’ comenta declarações de Eduardo Bolsonaro e Tarcísio de Freitas na véspera do julgamento da denúncia que pode colocar o ex-presidente no banco dos réus. Veja vídeo

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Por Redação

No dia em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete denunciados, o colunista do Estadão Carlos Andreazza analisa discurso do deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que se mudou para os Estados Unidos, segundo ele, na tentativa de ajudar o pai, acusado de tramar um golpe de Estado em 2022.

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No país americano chefiado por Donald Trump, o filho de Bolsonaro prometeu se dedicar integralmente a convencer autoridades americanas a punir o ministro do STF Alexandre de Moraes e trabalhar pela anistia dos condenados pelo 8 de Janeiro.

Para Andreazza, na entrevista, Eduardo dá recado para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estava presencialmente no estúdio do podcast Inteligência Ltda nesta segunda-feira, 24, com o ex-presidente. Tarcísio é um dos principais nomes para substituir Bolsonaro em 2026, já que o ex-presidente está inelegível até 2030.

Segundo o deputado licenciado, “se Bolsonaro perder o capital político dele, já era, Moraes vai trancafiar ele na cadeia e jogar a chave fora”.

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Para o colunista, Eduardo está completamente equivocado. “Já está bastante claro que esse tipo de coisa, e no caso de um juiz de Corte constitucional, não tem que sensibilizar mesmo, pressão não sensibiliza, não mexe, pressão não pressiona Alexandre de Moraes. O que me importa aqui é se o Bolsonaro vai perder o capital político dele.”

Andreazza citou o baixo poder de mobilização que Bolsonaro demonstrou ter atualmente na última manifestação que convocou em Copacabana, no Rio, em 16 de março, que mobilizou menos de 20 mil pessoas. “Manterá o máximo possível a fantasia de ser o candidato″, diz, comparando a estratégia com a utilizada por Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, que mesmo preso, para não perder o capital político, chegou a se candidatar para concorrer ao pleito, mas teve o registro barrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

“O que resta a Jair Bolsonaro agora que é a articulação política e a manutenção do seu nome como grande líder da direita e candidato, ainda que impossível, à Presidência em 2026″, diz o colunista.

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