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Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia. Com Eduardo Barretto e Iander Porcella

‘Esse barco vai afundar’: o conselho de parte do Centrão para Isnaldo rejeitar liderança do governo

Queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou mais evidente nas últimas pesquisas, tornou mais difícil para o Palácio do Planalto convencer deputados e senadores a se associarem a Lula

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Foto do author Iander Porcella
Atualização:

O líder do MDB na Câmara, Isnaldo Bulhões (AL), é o deputado mais cotado para assumir a liderança do governo Lula na Casa. Mas ele tem sido aconselhado por parte do Centrão a rejeitar o cargo caso receba o convite. Um dos aliados contrários à empreitada chegou a dizer ao parlamentar que “esse barco vai afundar”, em referência à gestão petista. A queda na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ficou mais evidente nas últimas pesquisas, tornou mais difícil para o Palácio do Planalto convencer deputados e senadores a se associarem a Lula.

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Outro nome considerado para representar o governo na Câmara é o do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que foi ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff. Mas interlocutores afirmam que ele dificilmente aceitaria o posto sem ter um canal direto de comunicação com o presidente da República. Nesse terceiro mandato, Lula está mais isolado que nos anteriores e pouco recebe aliados em seu gabinete. Além disso, o petista não tem celular próprio.

O atual líder do governo na Câmara é José Guimarães (PT-CE), entretanto, ele pode ser deslocado para a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), responsável pela articulação política do Planalto com o Congresso. A pasta é ocupada por Alexandre Padilha, que tende a substituir Nísia Trindade na Saúde. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), é outro que pode assumir a SRI nessa “dança das cadeiras”. Isnaldo e Aguinaldo também foram citados para o ministério, mas Lula tem dado sinais de que prefere manter o cargo com o PT.

Como mostrou a Coluna do Estadão, a base aliada tem feito uma avaliação nos bastidores de que Lula padece do mesmo mal do ex-presidente Jair Bolsonaro na articulação política ao se cercar apenas de correligionários no Palácio do Planalto. Com isso, só ouve a voz do próprio partido e não tem noção do termômetro real do Congresso e das ruas. Desde o início do governo, o Centrão viu como um erro a liderança do governo ficar nas mãos do PT, mas agora esses parlamentares têm também pensado duas vezes antes de embarcar na canoa governista.

Isnaldo, como mostrou a Coluna do Estadão, chegou a ser chamado de “líder dos líderes” nesta nova legislatura na Câmara, pela proximidade com o novo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB). Ele é visto como uma espécie de “braço direito” do paraibano, o que poderia facilitar a vida do governo caso ele assuma algum cargo ligado ao Planalto.

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Isnaldo Bulhões (AL), deputado federal e líder do MDB na Câmara Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados