EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
Foto do(a) coluna

Coluna do Estadão

| Por Roseann Kennedy

Roseann Kennedy traz os bastidores da política e da economia. Com Eduardo Barretto e Iander Porcella

PT quer mais intervenção do BC no câmbio e que Galípolo ‘fale bem’ do governo a agentes do mercado

Futuro líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias afirmou à Coluna do Estadão que ninguém quer queda dos juros “na marra”, mas acredita que a Selic vai recuar porque Galípolo terá retórica favorável ao governo Lula e ajudará a acalmar o mercado

PUBLICIDADE

Foto do author Roseann Kennedy
Foto do author Iander Porcella

O PT tem duas expectativas principais sobre a chegada de Gabriel Galípolo ao comando do Banco Central, e nenhuma delas tem a ver com redução da taxa de juros “na marra”, de acordo com o futuro líder do partido na Câmara, Lindbergh Farias. Em conversa com a Coluna do Estadão, o deputado defendeu que a principal tarefa do substituto de Roberto Campos Neto no início do ano será conter o câmbio com mais intervenções da autoridade monetária. Em paralelo, o petista espera que Galípolo “fale bem” do governo e aposta que essa retórica positiva acalmará os agentes de mercado e ajudará na redução dos juros.

PUBLICIDADE

“Não vamos interferir em nada. Galípolo já sabe o que tem que fazer. Ele sabe que a questão central agora é conter o câmbio”, afirmou Lindbergh. “A intervenção do BC no câmbio não é artificial. O que é artificial é o cenário que temos hoje no mercado”, emendou.

A alta do dólar, que impacta no preço dos alimentos, é considerada pelo PT como um dos principais fatores que travam um eventual crescimento da popularidade de Lula e, consequentemente, sua chance de reeleição em 2026.

Governistas reclamam que o Banco Central demorou para iniciar o processo de intervenção no câmbio neste fim de ano, após o dólar escalar para mais de R$ 6 nas últimas semanas, e dizem que no governo Bolsonaro essas medidas eram mais frequentes. Entretanto, mesmo após Banco Central injetar um volume recorde de dólares no mercado neste mês de dezembro para tentar conter a alta da moeda americana, o recuo não foi significativo.

A desconfiança dos agentes financeiros com o governo é atribuída à percepção de que não há compromisso verdadeiro com a responsabilidade fiscal. O pacote de corte de gastos de Haddad foi considerado insuficiente para estabilizar as contas públicas e frear a trajetória de crescimento da dívida do País.

Publicidade

Os integrantes do PT, entretanto, avaliam que boa parte da má impressão do mercado sobre a gestão Lula vem de um discurso desfavorável ao governo por parte de Campos Neto, que foi indicado para a presidência do BC pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, petistas interpretam que Galípolo conseguirá melhorar o ambiente econômico. “A expectativa é a melhor possível”, concluiu o líder.

Lindbergh Farias (PT-RJ), deputado federal Foto: Zé Carlos Barretta/FotoArena
Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.