Os olhares da política esta semana estão voltados para o julgamento do inquérito do golpe. Embora o resultado já seja esperado, com a certeza de que a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal vai mandar Jair Bolsonaro e outros sete para o banco dos réus, a postura do ex-presidente e de seu entorno dará sinais sobre a campanha eleitoral de 2026. Nesse contexto, a reação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é das mais esperadas.
Alçado à política pelo ex-presidente, Tarcísio tem se equilibrado entre fazer gestos efusivos de apoio ao capitão do bolsonarismo e, ao mesmo tempo, adotar discurso mais ameno que dialogue com os partidos de Centro e respeite a Justiça no País. Na semana passada, por exemplo, atirou nas duas direções.
Num dia, o governador esteve na manifestação pela anistia “aos inocentes” do 8 de janeiro, pedindo a volta de Bolsonaro [que está inelegível]. Foi o único potencial presidenciável da direita a discursar no ato. “Qual é a razão de afastar Jair Bolsonaro das urnas?”, indagou. E ele mesmo respondeu, de forma direta: para impedi-lo de chegar ao poder.
Noutro dia, Tarcísio adotou o bom senso e fez elogios ao sistema eleitoral brasileiro, algo que contraria os bolsonaristas. “O Brasil veio se tornando referência no que diz respeito a termos de velocidade, de apuração, de tecnologia. Muitos países têm que olhar para o Brasil e ver o que está sendo feito aqui. O Brasil se tornou, de fato, uma grande referência”.
Fato é que, embora Tarcísio seja, por ora, o único presidenciável da direita com potencial para derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida ao Planalto em 2026, de acordo com as pesquisas, ele também depende do voto dos apoiadores de Bolsonaro para alcançar tal resultado.
Uma amostra dessa dependência pode ser vista nas redes sociais. Levantamento realizado pela empresa de análise de dados Bites com exclusividade para o Estadão/Broadcast de janeiro de 2023 até fevereiro deste ano, constata que as postagens com maior engajamento do republicano desde o início do mandato continuam sendo as que Jair Bolsonaro aparece ou é mencionado.
Caciques do próprio partido, do PSD e do MDB têm sido uníssonos ao avaliar nos bastidores que o momento é de “Tarcísio jogar parado”. Ou seja, é melhor esperar o tempo da política. Afinal, para além do julgamento de Bolsonaro, há outros fatores em jogo para decidir o quadro de candidatos. Um dos principais envolve a popularidade do presidente Lula e saber se os partidos que atualmente estão na base, a exemplo dos três mencionados, vão abandonar o petista de fato.
Também é crescente o entendimento nessas siglas de que Bolsonaro apostará em manter sua franquia na chapa presidencial. Sem poder concorrer, escolherá um dos filhos para representá-lo. Nesse cenário, Tarcísio não disputaria em enfrentamento com a turma do capitão.
Em ritmo de bolero, o governador fica no mesmo lugar, focado no pragmatismo, e tentando evitar riscos.
