Flávio Bolsonaro tentou ligar para Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão dele: ‘Pode atender?’
PF achou no celular do banqueiro três meses de conversas com o senador, menções a encontros e histórico apagado.
Quando se pensa que já viu de tudo e que o mais grave sobre o escândalo Master já tinha vazado, novas revelações sobre Flávio Bolsonaro e a “turma do KN”, que estavam represadas no STF e nos órgãos de investigação, começam a surgir aos borbotões e, tal como as suspeitas sobre Alexandre de Moraes, não têm resposta.
“Irmão” de Vorcaro, com quem tinha contatos assíduos, pessoais e por mensagens, inclusive para pedir R$ 134 milhões, Flávio tem outras relações duvidosas. Além de suas empresas dividirem endereço e o mesmo contador com as do “Careca do INSS”, que dispensa apresentações, ele fez safaris na África do Sul com o deputado Weverton Rocha e o advogado e “amigão” Willer Tomaz, ambos metidos nas fraudes do... INSS.

Ah! Foi Willer Tomaz quem comprou de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, um apartamento num dos bairros mais caros de São Paulo, que em seguida veio a ser usado por Flávio na pré-campanha à Presidência. Numa estranha aritmética comercial, Zettel comprou o imóvel por R$ 5,5 milhões e, meses depois, em fevereiro deste ano, vendeu para Tomaz por R$ 3,5 milhões. A turma de Vorcaro era muito generosa com a de Flávio.
Numa semana pesada para sua campanha, Flávio também foi pego em mais uma mentira. Depois de jurar que nem conhecia Vorcaro e ser atropelado pelo áudio pedindo dinheiro, ele também negou, com a mesma veemência, ter voado em aviões do banqueiro. Pois é, mas ele voltou com a família de Miami no mesmo jato em que Moraes e sua mulher voaram de Brasília para o Rio, um Legacy do qual Vorcaro foi sócio.
Mas o pior é que o Grupo Entre, usado por Vorcaro para enviar em torno de R$ 60 milhões para o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro, é também investigado por lavar dinheiro do PCC, o que abre uma nova frente contra, pelo menos, o “irmão” Vorcaro: a de eventuais vínculos com o crime organizado.
Se a coisa vai piorando para Flávio, na reta final da campanha, também assombra o STF. Assim como o orçamento do filme “Dark Horse” é estranhamente maior do que os de “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, juntos!, a “turma do KN”, citada nas mensagens de Vorcaro, fez um acordo com o banqueiro por mais do que o dobro dos valores que envolvem Flávio e Moraes, somados!.
Quem será o sortudo KN? A PF não tem dúvidas de que se trata do ministro do Supremo Kássio Nunes Marques, metido em diferentes caminhos, ou desvios, que levam a Daniel Vorcaro. Um deles é um contrato vinculado à “turma do KN”, que poderia chegar a R$ 427 milhões. O contrato com o escritório de advocacia da família Moraes era de R$ 130 milhões e o empréstimo para o “Dark Horse”, de R$ 134 milhões.
Os valores da “turma do KN” também foram acertados com o escritório de uma advogada, Camilla Ramos, mas ela é casada, não com um ministro do STF, mas com um desembargador do TRF-1, Newton Ramos, que, ora, ora, já trabalhou num gabinete de Nunes Marques e é amigão do ministro para toda vida – ou toda obra.
Como em todas as histórias de Vorcaro e Master, o dinheiro saía daqui, passava por ali, voava acolá, fazia escalas e conexões e, finalmente, pousava em múltiplos destinos, ou melhor, em fundos e paraísos fiscais, quase tão difíceis de rastrear quanto as mensagens de “visualização única” de Moraes para Vorcaro.
Mais que um banco, o Master era fábrica de dinheiro, produtora de filmes e de festas com “moças novinhas” e companhia de aviação. E é assim que os escândalos vão, não só esturricando a credibilidade de um ministro atrás do outro e do próprio Supremo, como se embolando com as eleições. Aliás, por que tantas informações sobre Flávio foram represadas por tanto tempo?



