O coronel Aginaldo Oliveira (PL), marido da deputada federal Carla Zambelli (PL) teve a pré-candidatura a prefeito de Caucaia (CE) endossada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Nosso comandante”, diz Bolsonaro em vídeo publicado nas redes sociais de Aginaldo no final do ano passado. O gesto é um indício de reaproximação entre Bolsonaro e Carla Zambelli, cujo relacionamento estava estremecido desde as eleições de 2022.
Na véspera do segundo turno, a deputada federal foi flagrada na capital paulista perseguindo um homem com uma arma na mão. Parte dos apoiadores do ex-presidente avaliam que o episódio, tal como a prisão de Roberto Jefferson, pode ter influenciado o resultado da eleição daquele ano.
”Recebo o apoio com muita felicidade”, afirma Carla Zambelli ao Estadão. Segundo a deputada federal, o gesto do ex-presidente “prova que Bolsonaro nunca teve problema de confiança comigo”.

Marido de Carla Zambelli, Aginaldo de Oliveira foi comandante da Força Nacional de Segurança Pública durante três anos, de janeiro de 2019 a março de 2022. Durante a gestão, enfrentou crises como a escalada da violência urbana no Amazonas, em 2021, e um motim da Polícia Militar cereanse, em 2020. Apesar de uma greve dos PMs estar tipificada na lei como crime, o comandante elogiou as lideranças do movimento.
“Os senhores se agigantaram de uma forma que não tem tamanho. É o tamanho do Brasil que vocês representam”, disse o então diretor da Força Nacional sobre os grevistas. “Sem palavras para dizer o tamanho da coragem que vocês têm e estão tendo ao longo desses dias.”

Cenário em Caucaia segue indefinido
O cenário das pré-candidaturas em Caucaia, segundo maior colégio eleitoral do Ceará, segue embaralhado. Em anúncio nas redes sociais na segunda-feira, 8, o prefeito Vitor Valim (PSB) desistiu da reeleição, o que abre espaço para um novo nome no grupo político que agrega o PT do governador Elmano de Freitas e do ministro da Educação e ex-governador Camilo Santana.
As pré-candidaturas à direita, por outro lado, também não estão consolidadas. O aceno de Bolsonaro ao Coronel Aginaldo esbarra com o projeto do vice-prefeito Deuzinho Filho (União Brasil), um dos principais apoiadores do ex-presidente na região. Rachado com Valim, Deuzinho vinha, até então, despontando como nome conservador para a disputa. A deputada estadual Emília Pessoa (PSDB) e o ex-prefeito da cidade Naumi Amorim (PSD), por sua vez, correm por fora.
Com mais de 235 mil eleitores, Caucaia é peça-chave para a eleição estadual. A disputa para prefeito é importante para consolidar as bases de apoio para o pleito de 2026, que elegerá deputados estaduais, deputados federais, dois senadores e governador do Estado. Por conta disso, as forças políticas locais começam a se movimentar desde já no município vizinho a Fortaleza.
Relacionamento entre Bolsonaro e Zambelli
Até o vídeo de apoio a Aginaldo, o relacionamento entre Jair Bolsonaro e Carla Zambelli estava estremecido. Em agosto de 2023, o ex-presidente admitiu o “gelo” na deputada. “Ela queria falar comigo um tempo atrás, eu não respondi. Eu me recolhi desde o segundo turno das eleições, não falo com quase ninguém. (...) Nada contra a Carla Zambelli, espero que ela explique tudo o que aconteceu”, disse Jair Bolsonaro.

Prefeito e vice seguem rachados em Caucaia
Se o endosso a Aginaldo dá sinais de melhoras no relacionamento entre Jair Bolsonaro e Carla Zambelli, o rompimento entre Vitor Valim, prefeito de Caucaia, e Deuzinho Filho, o vice, segue intacto.
Deuzinho apoia Jair Bolsonaro desde 2018 e a aproximação de Valim com o PT foi o motivo do racha. “Vice-prefeito não é empregado de prefeito. Na hora em que ele (Valim) quis me tratar como cabo eleitoral, me obrigando a mudar de rumo, continuei no mesmo local”, disse Deuzinho Filho ao Estadão.
“Se ele pensasse no município, não teria rompido com o vice”, afirmou Deuzinho Filho. “Mesmo rompido, ajudo no que posso, apesar de ele me perseguir, demitindo pessoas ligadas a mim”. Procurado, Vitor Valim nega a acusação. “Se alguém aqui sofre perseguição, esse alguém sou eu. Basta acompanhar as declarações do vice-prefeito para ver a tamanha agressividade com a qual ele me ataca”, disse o prefeito em nota.
Quanto ao apoio ao Coronel Aginaldo, o vice “lamenta” que Bolsonaro “não tenha tido um olhar de aliado” para ele, mas afirma nunca ter feito tratativas nesse sentido com o ex-presidente. “Nunca pedi, nem barganhei”, ressalta Deuzinho Filho, que não exclui a possibilidade de aliança com demais atores de oposição ao prefeito, como o próprio Aginaldo, Emília Pessoa ou Naumi Amorim. “Acredito que, no segundo turno, todos nós estaremos juntos”, disse Deuzinho.