Aeromóvel do Aeroporto de Guarulhos vai funcionar quando? Obra tem mais de um ano de atraso

Trem deve ligar os três terminais de passageiros à estação de trens da CPTM; consórcio responsável diz que demora se dá pela complexidade do projeto e necessidade de conciliação com as atividades diárias do terminal

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Foto do author Giovanna Castro

A entrega do trem aéreo que deve ligar os três terminais de passageiros do Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, à estação de trens urbanos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), foi adiada novamente pela concessionária GRU Airport, informou o Ministério de Portos e Aeroportos. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) abriu processo administrativo para impor sanções à concessionária, que pode ser multada.

Procurado pela reportagem, o Consórcio Aero Gru - responsável por projetar e construir o aeromóvel - diz que os atrasos se deram pela complexidade da obra e necessidade de conciliar as construções e testes do trem aéreo com as atividades diárias do Aeroporto de Guarulhos, que se mantém em plena operação durante todo o processo. A concessionária do aeroporto, GRU Airport, não se manifestou.

Cada trem terá capacidade de levar até 200 passageiros Foto: Felipe Rau/Estadão

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A obra, com custo total estimado em R$ 271,7 milhões - dividido entre governo federal e iniciativa privada -, começou em janeiro de 2022. Conforme o contrato, a previsão era de operação do aeromóvel a partir de janeiro de 2024. No ano passado, no entanto, esse prazo passou para fevereiro de 2025. E, agora, vai para agosto de 2025.

“O término da implantação e início da operação estão atrasados, devido a questões construtivas, de implantação da tecnologia e internas do consórcio construtor, conforme informado pela concessionária”, informou o Ministério dos Portos e Aeroportos e a Anac.

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“É importante esclarecer que não houve alteração do escopo ou do prazo inicialmente contratados. Conforme comando contratual, a concessionária tem a obrigação de disponibilização de um sistema automatizado de transporte de pessoas (Automated People Mover)”, dizem as duas instituições, em nota.

Um processo administrativo sancionador foi instaurado após a constatação da não entrega do investimento na data prevista, mas o caso continua sob análise. A depender da decisão, pode ser cobrada multa pelo atraso.

Ao Estadão, o CEO da empresa Aerom, Marcus Coester, que representa o consórcio Aero GRU, disse que “a implantação de APMs (Automated People Movers) são processos complexos e implicam na integração de diversos sub-sistemas, como via elevada, estações, veículos, sistemas elétricos e sistemas de automação. Quando estes empreendimentos ocorrem em aeroportos em plena operação, como GRU, ainda devem ser seguidas restrições operacionais e de segurança”.

Segundo Coester, o aeromóvel está em fase de pré-operação desde 12 de janeiro de 2025 e há tramite em andamento para a conquista de certificação de segurança para operação comercial. “O sistema de 2,7 Km de GRU foi construído em tempo recorde, menos de 36 meses. Como referência podemos citar o APM do aeroporto de Luton (LTN) em Londres, com 1,9 Km de extensão, iniciado em 2018 e entregue em 2023″, afirma.

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Novo modal era previsto para fevereiro de 2024, mas só deve ser entregue em agosto deste ano Foto: Felipe Rau/Estadão

As outras empresas que compõem o consórcio são HTB Engenharia, FBS e TS Infraestrutura, com menor participação que a Aerom. A licitação da obra foi aberta pelo governo federal em 2019.

O projeto

O trem aéreo do Aeroporto de Cumbica será o segundo sistema de transporte a utilizar a tecnologia do Automated People Mover (APM), conhecido como aeromóvel, no Brasil. Em Porto Alegre, desde 2013 uma linha semelhante faz a ligação entre o Aeroporto Salgado Filho e uma estação do metrô local.

Em Guarulhos, a via, com extensão de 2,7 quilômetros, foi construída a uma altura de 11 metros do solo. Cada trem pode levar até 200 passageiros e o trajeto completo entre a estação da CPTM e as três estações dos terminais levará seis minutos. Atualmente, os passageiros levam 45 minutos para fazer o percurso em transfer e ônibus.

Os vagões são leves porque não têm motores e são movidos pelo empuxo do ar que circula em dutos localizados sob os trilhos. A tecnologia imita os barcos à vela, mas com vento artificial. O ar, empurrado por ventiladores potentes instalados na entrada dos dutos, faz com que os vagões se desloquem pelos trilhos.

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As composições foram projetadas e construídas no Brasil, por meio de uma parceria da Aerom, empresa gaúcha que desenvolveu a tecnologia, e a Marcopolo Rail, especializada em modais sobre trilhos.

Nos testes, o veículo atingiu 57 km/h. Isso indica que será possível transportar duas mil pessoas por hora. Por não usar combustão, o sistema é silencioso. Além disso, a eliminação de combustíveis fósseis ajuda a reduzir as emissões de carbono.